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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Marvão 2016

Primeiros dias de Outubro, um e dois, inicio do Outono de 2016, altura de mais uma viagem de mota, desta vez um clássico sempre muito desejável, Marvão, situado junto a Espanha no Alto Alentejo, distrito de Portalegre, no topo da Serra do Sapoio, a uma altitude de 860 metros.
No caminho até á bonita vila Alentejana temos como pontos de interesse, Belver e o seu castelo e Castelo de Vide onde será a base de descanso para Domingo, já no regresso levamos Portalegre e Évora Monte como pontos de passagem e visita.
A mota escolhida foi a já veterana Yamaha Super Ténéré 1200, confortável, boa autonomia e consumos, potência disponível em toda a faixa de rotação do motor, com uma boa capacidade de carga, tem tudo para tornar estes dois dias de viagem bastante agradáveis.


O inicio da viagem bem como o fim foi em Mafra, como é habitual. Depois de uma noite mal dormida, criada pela ansiedade normal nas vésperas destas aventuras, lá fomos até ao Convento de Mafra para a habitual foto. A vontade era partir já, mas ainda houve uma manhã de trabalho em Mem Martins e só depois demos a partida oficial, com rumo a Vila Franca de Xira para transpor o Rio Tejo e seguir por estradas Nacionais até Muge, onde no Silas nos esperava uma bela bifana para o almoço, faz tempo que ouço falar destas bifanas e não desiludiram, muita escolha de ingredientes para acompanhar, tamanho avantajado e preço acessível, fiquei cliente.



Seguindo pelo Ribatejo, pouco trânsito, algum vento, lá se ia galgando estrada, ao passar no Arripiado, aldeia ribeirinha, decidi fazer um pequeno desvio, que acabou valer os minutos que demorámos a tirar uma foto no enorme largo com calçada Portuguesa á beira do Rio Tejo.

E foi junto ao Rio Tejo que continuamos num infindável número de curvas, em que a Super Tenere se mostrava disponível para dar ao piloto um sorriso dentro do capacete, esta N118 é uma verdadeira perdição para os amantes de motas. O próximo destino era Belver, para isso optei por transpor o Rio Tejo através da estrada metálica da Barragem de Belver, o Castelo esperava pela minha visita. Depois de uma infindável escadaria encontramos o Castelo, bem tratado, com segurança e uma entrada de 2€, merece sem dúvida uma visita, dali se obtém excelentes vistas sobre o Rio Tejo como poucos o conhecem.
Já satisfeito pelo prazer que é visitar um Monumento deste calibre, a mota esperava por mais uns kms. e Castelo de Vide, onde iria dormir esta noite era o destino que se seguia, antes da entrada na Vila do lado direito há o desvio para a Ermida da Nossa Sra. da Penha, e foi para aí que segui, já que ainda havia luz do dia e o tempo tem que ser bem aproveitado.

A vista aqui do cima da Serra de São Paulo é magnifica sobre Castelo de Vide e todo o Alto Alentejo. 


O Hotel Sol e Serra esperava por nós, XT estacionada á porta, foi altura de instalar no quarto, e dar um rápido um mergulho na piscina, muito provavelmente o último deste ano, porque o Outono está aí e os dias cada vez mais frios, um banho quente, mudar de roupa e toca a pegar de novo na mota e ir para Marvão, destino principal desta viagem. Mossassa era o Evento que me esperava na parte alta da fortaleza Alentejana, uma feira estilo mediaval, com comes e bebes e muito artesanato á venda. Não perdi muito tempo, já que a noite estava fria e tinha preferido encontrar a vila mais vazia. Regresso a Castelo de Vide para jantar numa esplanada uma deliciosa carne de porco á moda Alentejana. Um passeio nocturno pela vila, onde se compreende o porquê de ser considerada a Sintra do Alentejo, vários pormenores
maravilhosos por todo lado, fontes, igrejas, estátuas, jardins, adorável! Mas de manhã com sol queria voltar a ver tudo e claro visitar o castelo da Vila, fabuloso, com 2 museus, burgo mediaval e com acesso ao topo da torre principal onde nos perdemos com a vista que alcançamos. Por muitas vezes que o visite, parece sempre ser uma novidade. 
A Serra de São Paulo com a sua Ermida, vista da torre do castelo: 


Regresso ao hotel, arrumar a mala e hora de montar a Super Tenere e continuar a nossa viagem, Portalegre, Estremoz, Evoramonte, Montemor, Vendas Novas já na hora de almoço que não deixámos passar a oportunidade para degustar duas bifanas acompanhadas de uma Imperial, Pegões, Vila Franca de Xira e chegada a Mafra por meio da tarde, sempre fora das Auto estradas.
Portalegre: 


Estremoz: 
Évora Monte: 

E a chegada sempre gratificante a Mafra, com mais de 600 kms. feitos nestes dois dias: 

Mais uma vez tentámos fazer uma viagem de baixo custo, tentando ver muito e gastar pouco.

kms. feitos - 610

Despesas :
Alimentação - 25.60€
Gasolina - 50€
Dormida - 24€
Entradas Monumentos - 3€

Total : 78.60€ 


Em Novembro voltamos de novo á estrada!
ALBUM DE FOTOS

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Marrocos 2016

Mais uma viagem a Marrocos, será a terceira vez a visitar este maravilhoso País do Norte de África, novamente de mota, porque esta é a melhor maneira de conhecer o território através das suas boas estradas sempre rodeadas de paisagens deslumbrantes. Entre 22 de Abril a 1 de Maio de 2016 andarei com a minha Super Tenere na estrada num total de kms. que deverá ultrapassar os 4.000, feitos entre Portugal, Espanha mas principalmente em Marrocos.

Dia 1 Mem Martins - Santo Amador
Foi nesta sexta-feira, depois de uma noite mal dormida, tal era o nível de ansiedade, e um dia de trabalho interminável, que dei inicio ao meu Marrocos 2016.
Pouco para contar hoje, até porque foi um bónus que dei à viagem, afim de evitar um Sábado bastante madrugador e com muitas horas de viagem sem motivos de interesse no caminho, porque é preciso estar em Tarifa às 15 horas para apanhar o ferry que me levará junto da Tenere ao Norte de África, assim aproveitei para dormir já perto de Espanha,na simpática aldeia de Santo Amador na casa que já foi dos meus Avós e actualmente é dos meus Pais.
Saida de Mem Martins com céu escuro, duas bifanas em Vendas Novas e depois não mais parou a chuva tanto de água como de mosquitos. Uma foto ao templo de Diana em Évora, outra em Portel, duas raposas lindas na estrada, estacionar a mota,tirar o indispensavel das malas e vamos lá descansar.



Dia 2 Santo Amador - Tânger
Segundo dia de viagem que começou bem cedo e molhado, até perto de Sevilha a chuva teimou em cair, mas a partir dai o ar aqueceu e o céu deu tréguas. Com uma paragem rápida em Aracena, e ainda não foi desta que visitei as grutas, cheguei a Sevilha cedo, já que só precisava estar em Tarifa as 15 horas Portuguesas, o trânsito estava calmo, decidi ir conhecer o centro da cidade, bastante agradável por sinal.
Depois foi rodar pela via rápida e nacional que passa por Jerez de la Frontera, cheia de motas por causa do MotoGP deste fim de semana, Cádis, e finalmente Tarifa, este último troço é digno de ser visto e feito nesta altura do ano, do lado direito mar com África perfeitamente visível, do lado esquerdo uns montes enormes verdes, e imensas hélices eólicas.
Chegar a Tarifa, confusão instalada, motas ás dezenas, carros, autocarros, barcos a partir outros a chegar, a polícia sem saber bem como dividir tudo. Mas como já tinha comprado bilhete á alguns meses, a coisa até correu bem. Mota instalada no porão, com mais umas trinta ou quarenta Portuguesas, e passados 45 minutos com mais ou menos abanão do Ferry lá estava em África, em Tânger, cidade que se situa no topo Noroeste do Continente Africano, na costa Atlântica e na entrada ocidental do estreito de Gibraltar, que une o Atlântico ao Mediterrâneo, criando umas ondas incrivelmente grandes. Fica a 14 kms em linha reta da península ibérica, mas parece muito mais.
Depois a rotina habitual na fronteira Marroquina, se o passaporte é carimbado no Ferry, no posto fronteiriço é nos dado um visto para a mota, mas para isso é preciso penar muito.
Depois de instalado no habitual hotel Continental, situado na Medina da Cidade, foi tempo de refrescar, mudar de roupa e procurar jantar na Medina. A medina de Tanger, como todas as outras de Marrocos são muito movimentadas, vende-se de tudo um pouco. Depois o merecido descanso que amanhã o dia, apesar de ter pouca estrada, não deixa de ser interessante.
Dia 3 Tânger - Chefchaouen - Fés 
Este terceiro dia de viagem, foi o primeiro em estradas Africanas. Saindo de Tânger cedo e sendo Domingo o trânsito era pouco ou nenhum, primeiro abastecimento em Marrocos com a gasolina a cerca de 1€, lá tirei uma foto ao Marroquino que abastecia a Super Tenere, a rir-se disse logo "facebook" .
Depois foi apanhar a N2 que às vezes é N13 e aí começa a magia Marroquina, com tudo que acontece à beira da estrada, vacas, muitos burros, ovelhas, venda de tudo e mais alguma coisa, com autênticos mercados criados do nada, pessoas a passear, outros atravessam quando está a chegar o carro/mota, pessoas paradas sentadas ou à conversa, carros que param num sitio qualquer, um espectáculo digno de ser visto :-) Claro que além disso tudo em cada rotunda há controle policial com grande aparato, e acreditem que não estou a exagerar, contudo parece que só chateiam os carros Nacionais e com sinais de desconfiança, ou então apanhados pelo radar.
Como tinha poucos kms. para fazer hoje, cerca de 350 aprovetei para perder mais tempo em Chefchaouen, a cidade Azul, bonitas e estreitas ruas pintadas de azul e muitas lojinhas de comércio tradicional, as chamadas souks. Tal foi a volta pela Medina que ainda tive dificuldade em encontrar a mota. 
Ter escolhido esta data, mais cedo do que costumo vir, tornou-se neste dia bastante gratificante, já que o costuma estar seco no Verão está verde, verde como só consigo ver nos Alpes ou nos Pirenéus, se juntarmos a isso as várias barragens que nos vão aparecendo no panorama, conseguimos ter visões magníficas ( não fosse o magnifico/magnificent, a palavra do dia.
O destino para hoje era Fés, Cidade do Centro-Norte de Marrocos com 89kms. quadrados e 1 100 000 habitantes, podem imaginar como é grande, a segunda maior do País, a seguir a Casablanca, e uma das quatro Cidades Imperiais Marroquinas, além de Rabat, Marraquexe e Meknes. Sinceramente pouco me diz, pela terceira vez não levo a melhor impressão daqui. Ainda fui de taxi ao centro, estive na medina, caminhei pela avenida principal, mas ao primeiro taxi livre voltei para o hotel onde jantei.
Amanhã começa a melhor parte da viagem.



Dia 4 Fes - Ifrane - Gargantas Ziz - Errachidia - Erfoud - Merzouga
Este quarto dia de viagem conseguiu superar as minhas expectativas, que já estavam bem altas para uma jornada que se previa longa, e que iria levar-me até ás portas do Sahara. Este País não para de me surpreender, cada planalto, serra, encosta trazem sempre uma nova visão, mais parece tudo feito a desenho e á mão, apetece voltar para trás e fazer um repetição, mas como o caminho até Sábado à noite está traçado só resta seguir em frente.
Saida de Fes bem cedo, 7.30h. em cima da Tenere e a acordar meio hotel ao som do Arrow, afim de evitar a confusão de trânsito normal numa Cidade daquelas. Caminho até Ifrane muito bom, sempre a subir que a Suiça Marroquina fica a 1660 mts. de altitude, é assim conhecida por ter várias estâncias de ski e ter uma arrumação bem mais organizada que o resto do País, os telhados das casas por sinais bem luxuosas na maioria são com grandes inclinações. Quem la passa deve estranhar a quantidade de polícias e militares que há por todo o lado, nao tivesse la o Rei Marroquino Maomé VI la uma das suas Mansões de férias.
Continuando a devorar estrada, com as habituais paragens para captar os momentos fotográficos, além de toda a beleza paisagística é impossível não reparar no imenso gado que há por todo o lado, vacas, ovelhas, cabras, tudo em enorme quantidade, depois há os burros por todo o lado, são usados para vários fins, desde carga como meio de transporte.
O dia de hoje ficou marcado pela passagem nas Gorges Ziz, que paisagens de sonho, a estrada bem revirada, mas com alcatrão ja muito polido dos camiões que muito la passam está muito vidrado, a roda traseira tem tendência a querer fugir.

Almoço numa esplanada em Errachidia, mesa cheia de tudo e mais alguma coisa, no fim pago 4€, por falar em comida, muitos me questionam que se come aqui, normalmente não escolho muito, venha qualquer coisa, é tudo deliciosamente bom.
A chegada a Merzouga acabou por ser mais cedo do que pensava, pelas 16 horas, e isto com mais de 500 kms. feitos desde a saida de Fes. Foi arrumar as coisas no quarto, mergulho na piscina gelada, apanhar um pouco de sol, ir as dunas mesmo junto ao aubergue ver o pôr do sol, jantar ao luar, e descansar, amanhã será um novo dia.


Dia 5 Merzouga - Todra - Dades
Mais um dia de viagem, que teve tanto de intenso como de quente, com a temperatura a não querer baixar dos 30 graus, ou seja, tal como gosto.
Hoje o dia não trazia novidades, apenas previa a passagem em dois Clássicos, obrigatórios para quem visita Marrocos, gorges de Todra e Dades, o termo garganta não se podia aplicar melhor aquelas duas obras majestosas da Natureza, são desfiladeiros entre encostas de tamanho assombroso, as de Todra chegam a passar os 200 metros de altura, as de Dades também imponentes são conhecidas pela série de curvas apertadas que fazem a descida do desfiladeiro.
A seguir a Erfoud houve tempo para visitar as cisternas de água naturais, 15 kms. quadrados sob água, em que os Marroquinos fazem poços artesanais para se abastecer, claro que montaram umas tendas, fazem umas visitas guiadas aos túneis, vendem artesanato, oferecem um chá, e pela quantidade de autocarros com turistas lá parados, todos ficam contentes. Como estou no Sul de Marrocos, o dromedário é o animal mais visto por aqui, tinham lá um ainda bebé fêmea, com quatro meses, que se chama Princess, claro está que todos querem tirar fotos junto, e não perdi a oportunidade.
O Marroquino é um povo extremamente simpático, ainda há o costume de pedir, mas cada vez menos, se da primeira vez que cá vim com o Viegas gastamos á vontade 100€ em gorjetas, desta vez em cinco dias, tenho 1.50€ dado a dois, e foi porque entendi. Já falam um pouco de Inglês e claro que o Francês é universal por aqui, Espanhol pouco e Português quase nada, hoje ao almoço no Restaurante fui atentido por um rapaz que falava bem Inglês, tentei lhe ensinar duas ou três palavras básicas da nossa língua, olá, obrigado, mas a dificuldade em pronunciar era tanta, que só saia Espanhol, mas como houve wifi, lá ficou 0.50€ de gorjeta e veio até á mota comigo a agradecer, entretanto chega a dono do restaurante a pedir para dar boleia a uma rapariga Francesa, que tinha perdido o autocarro, eram só três quilómetros, mas mesmo assim questionei-lhe sobre a polícia, não te preocupes que eles não dizem nada aos turistas, respondeu ele, lá foi ela de cabelos ao vento até encontrar o bus perdido. Curiosamente, foi mesmo hoje que tive o primeiro contacto com a policia daqui, uma das centenas operações de controle que já passei, um deles manda-me parar, e começa a apontar lá para trás, pensei logo, radar, mas não, era um STOP que não tinha parado, não vi nenhum STOP, só encolhia os ombros, ele ás tantas pergunta para onde vais em Francês, Tinghir respondi eu, depois dele insistir duas ou três vezes na pronuncia Árabe, lá repeti minimamente parecido, riu-se e mandou-me seguir:-)
No caminho para a garganta de Dades fica o Vale dos Figos, uma encosta de rochas enormes e de forma arredondada, em baixo corre um rio e existe um Oásis, digno de uma tela. Essa garganta, continua a ser o meu local preferido de Marrocos, se o Topo da minha lista de lugares preferidos, conhecidos está ocupado pelo Stelvio Pass nos Alpes Ocidentais, não teria dúvidas em dar a medalha de Prata a esta Gorge Dades.
O hotel para hoje é o Aubergue Panarama, excelente por sinal, tem uma vista do terraço e varandas dos quartos para um enorme Oásis, de cortar a respiração.
Amanhã vou ter descobertas novas, e voltarei ao Sahara, agora por outra porta.

Dia 6, Dades - Ouarzazate - Aint Ben Haddou - Zagora
Hoje foi o sexto dia de viagem, mais um pelo Sul de Marrocos, nesta longa caminhada para atravessar horizontalmente o País, para quando chegarmos ao Litoral, a El Jadida começar a subir até ao topo de África onde seguiremos via marítima para a Europa. Esta zona nesta altura do ano já se apresenta muito quente, não é fácil fazer 200 kms. com o termómetro a teimar mostrar 40 graus, mesmo para um apreciador de calor como eu. Convém explicar porque falo quase sempre no Plural, se eu a minha Super Tenere na estrada somos só um, a verdade é que não deixamos de ser dois, Homem e Máquina, pode parecer um pouco confuso, mas a malta que sente as motas como eu vai entender certamente.
A saida de Dades, foi bem cedo, como gosto de fazer habitualmente, seja em férias ou no dia a dia, na passagem por Ouarzazate decidi parar e visitar o Kashab, uma série de corredores labirinticos com salas vazias, valeu pelo berbere que fazia caligrafia arabe e berbere, contribui assim um pouco para esta simpática gente.
Vinte e poucos quilómetros depois estava em Aint Ben Haddou, uma povoaçao toda ela feita em barro e que já serviu para realizar alguns filmes, como o Gladiador, apesar de muito quente aponto como ponto obrigatório para quem cá vem.
Depois segui para uma zona desconhecida, Zagora, a 175 kms. de Ouarzazate, vou ficar com dúvida se é para regressar, o caminho para cá, apesar de muitas obras até é aceitável pela vista fenomenal que vamos tendo, subindo serras, descendo, e o ponto alto é quando alcançamos o interminável Oásis Draa, que durante cerca de 50 kms. leva-nos até Zagora. A questão é que as grandes dunas do Sahara estão 100 kms. depois, numa estrada sem saida, tal como esta que fiz hoje e voltarei a tornar a fazer amanhã de manhã até Ouarzazate, para depois atravessar o Atlas, outro ponto alto da viagem, e chegar a Marraquexe. Valeu pelo excelente La Perle du Draa, onde fui tratado como um Rei, até me deram a escolher o quarto, optei pelo maior, claro.

Hoje alcancei o ponto mais a Sul bem como mais longe de casa, segundo o gps 1600 kms. mais a travessia pelo Mar. Amanhã iniciaremos o regresso a casa, mas pelo caminho ainda há muito para ver e aproveitar.
Dia 7 Zagora - Atlas - Marraquexe
Mais um dia deste Marrocos 2016, pelo Sul, amanhã ao chegarmos a El Jadida junto ao mar, acabamos esta quente travessia.
Foi um dia especialmente para andar de mota, poucas paragens, parte do caminho já tinho sido feito ontem em direcção a Zagora, hoje foi repeti-lo em sentido inverso e já deu soltar mais o som do escape desta magnífica XT1200 que me acompanha.
A passagem pelo Atlas, estava referenciada como um dos pontos altos desta viagem, se é que fosse ou seja preciso mais, com tantos até ao momento, e foi mesmo, só falhou haver pouca ou nenhuma neve, só mesmo nos pontos mais altos. No topo com estrada alcançamos os 2260 mts. altitude, mas com 25 graus, onde já foi a neve que caiu no Inverno, foi aí mesmo no Tizi-n-Ticka que encontrámos um Grupo de motards, cerca de 30 Italianos com BMW's mas no meio de tanta gente madura lá apareceu um Tenere Rider na casa dos 40, que fez questão de tirar umas fotos com as nossas motas. Ainda à pouco dias comentava aqui que Marrocos está-se a tornar cada vez mais um Paraíso motard para os Europeus, na zona do Atlas isso é bem notório, este grupo por exemplo, trouxe as motas de camião só para disfrutar deste autêntico paraíso.
Chegar a Marraquexe, encontrar o hotel nunca é fácil, o GPS empurra-me sempre para dentro da medina, quando dei por mim já estava numa rua sem saída com dois guias de scooter que não se calavam por nada a querer ajudar. Encontrando então o Fashion Hotel, subir ao ultimo piso para um mergulho na piscina, mais ao fim do dia entrar num taxi e seguir para a medina e praça jemaa el Fna, onde tudo acontece e onde se pode petiscar, jantar ver espectáculos e claro fazer compras, porque a minha pequenota com quase 5 anos está-se a tornar uma autêntica consumidora como o Pai, disse-me várias vezes o que queria

Conhecida como a Cidade Vermelha, a Pérola do Sul ou a Porta do Sul, Marraquexe é a quarta maior cidade do País, superada por Fés, Tanger e Casablanca, sendo uma das quatro cidades Imperiais e a que mais turistas atrai.
Praça Jemaa el Fna, a mais movimentada de Marraquexe, com vários espectáculos como saltimbancos, acrobatas, encantadores de serpentes, faquires, curandeiros, músicos, dançarinos, etc. À noite, as barracas de comida típica dominam a praça, juntamente com centenas turistas e locais.
As muralhas avermelhadas e vários edifícios construidos em pedra também vermelha estão na origem de uma das suas alcunhas, Cidade Vermelha.
A medina de Marraquexe está classificada como Património Mundial desde 1985, sendo um destino turístico de fama Mundial e o maior mercado tradicional berbere do País.
Um ponto de visita obrigatório!


Dia 8, Marraquexe - Imlil - El Jadida
Foi ao completar o oitavo dia de viagem que cheguei ao Litoral, destino para hoje El Jadida. A viagem até agora, em que já ultrapassámos os 3000 kms. está a correr como previsto e planeado nos ultimos sete ou oito meses.
A saida do Fashion Hotel em Marrakech foi cedo, como tem acontecido desde início, prefiro assim para estar na base de descanso do dia seguinte às 16/17 horas para ter tempo de ir conhecer ou revisitar os sitios por onde vou passando. Ainda pensei duas vezes se iria até Imlil, conforme tinha no programa ou seguia directo para El Jadida, eram 70 kms. para lá chegar, e como a estrada acaba lá implicava regressar pelo mesmo caminho a Marrakech. Felizmente optei por seguir a ideia inicial, conhecer Asni e Imlil, que zona maravilhosa, estrada até Asni sempre a olhar para o Atlas, ficando cada vez os pontos visíveis de neve mais perto, alcatrão recente e bom, muita curva entrelaçada, chegando a Asni são mais 17 kms. Até Imlil, ai a estrada estreita e é mais um caminho só de uma via, mas que importa isso se vamos num desfiladeiro sempre junto a um rio com água que corre forte nesta altura com água do degelo da montanha, rodeados de um verde lindo e sempre rodando em direção à montanha alta com neve ainda. Ao chegar a Imlil, percebe-se que se trata de um destino turístico, parque estacionamento coberto, muitas lojas, restaurantes, aubergues, terraços, muitos burros à espera de clientes, estrangeiros equipados para caminhada, isto numa aldeia pequena. É que a partir daqui para subir á montanha onde fica Chamharouch a 15 kms. só a pé ou de burro. Em conversa com um local, acho que numa próxima visita a Marrocos merece pensar numa estadia aqui com caminhada, maior ou mais pequena.


Depois foi fazer tudo de novo até Marrakech, nada que importassse, numa estrada rodeada de tanta beleza natural, e com factor fun a poder ser usurfurido na Super Tenere. Atravessar Marrakech nas longas e modernas avenidas com muito trânsito, lá se fez até o GPS indicar que a próxima saída à direita era 170 kms. depois, e foi mesmo, longa estrada quase sempre a direito, sem cruzamentos e duas ou três localidades, onde parei numa delas para comer a típica tangine e seguir caminho. Fez-se num intante e pelas 15 horas estava à porta do Ibis Budget em El Jadida, que está mesmo em frente da praia, foi pôr as coisas no quarto, atravessar a rua e dar um mergulho, algo que tinha curiosidade em fazer à algum tempo, neste oceano, que apesar de Atlântico é bem mais quente que o nosso, pelo menos em El Jadida. Mais tarde foi visitar a Cidadela Portuguesa e pouco mais há para ver ou fazer aqui. Um jantar num restaurante da cidade, passeio á beira mar até ao hotel e o merecido descanso, porque amanhã o caminho só indica Norte até chegar ao ponto de partida deste Marrocos 2016.

El Jadida, situada na Costa Atlântica, é uma cidade industrial e portuária, além de estância balnear principalmente para os Marroquinos. Em termos turísticos é conhecida pela grande cidadela Portuguesa, a Cité Portugaise, a maior do género no Norte de África, que está classificada pela UNESCO como Património Mundial desde 2004 e é uma das sete Maravilhas de origem Portuguesa no Mundo.
Mazagão esteve sob o domínio Português de 1506 a 1769 e foi a última possessão de Portugal em Marrocos. Foi abandonada e arrasada pelos Portugueses em 1769, quando o nosso tão conhecido, por outros motivos mais populares Marquês de Pombal decidiu transferir os seus habitantes para a Amazónia, no Brasil.
Aconselho vivamente a visita, pela cidadela vestigios Portugueses não faltam.
No caminho de regresso á Europa houve uma passagem por Casablanca. 
A Mesquita Hassan II em Casablanca é uma das maiores de todo Mundo, sendo em altura, 200 mts. a mais alta. A sala de orações, gigantesca e construida com os melhores materiais, sendo o chão de mármore todo ele oriundo de Marrocos, mudando a cor consoante a zona de onde veio, candeeiros encomendados por Hassan II a Itália em vidro, e muito mais, tem 20.000 metros quadrados e tem capacidade para 25.000 pessoas, na altura do Ramadão chega a receber 40.000, os restantes enchem toda a praça circundante à mesquita, para se suportar o calor, que chega a ser de 40 graus nessa altura, o tecto é móvel, deslizando em duas partes. 
Obra feita num tempo record, seis anos, em que participaram 2.500 trabalhadores e 10.000 artesãos.
O melhor foi ter chegado, sem saber meia hora antes da visita guiada, que era às 10 , a troco de 1200 dihams, cerca de 11€ tive muito possivelmente um dos momentos mais altos da viagem, já que superou toda a curiosidade que tinha sobre esta Mesquita.
A Mesquita Hassan II em Casablanca é uma das maiores de todo Mundo, sendo em altura, 200 mts. a mais alta. A sala de orações, gigantesca e construida com os melhores materiais, sendo o chão de mármore todo ele oriundo de Marrocos, mudando a cor consoante a zona de onde veio, candeeiros encomendados por Hassan II a Itália em vidro, e muito mais, tem 20.000 metros quadrados e tem capacidade para 25.000 pessoas, na altura do Ramadão chega a receber 40.000, os restantes enchem toda a praça circundante à mesquita, para se suportar o calor, que chega a ser de 40 graus nessa altura, o tecto é móvel, deslizando em duas partes.
Obra feita num tempo record, seis anos, em que participaram 2.500 trabalhadores e 10.000 artesãos.
O melhor foi ter chegado, sem saber meia hora antes da visita guiada, que era às 10 , a troco de 1200 dihams, cerca de 11€ tive muito possivelmente um dos momentos mais altos da viagem, já que superou toda a curiosidade que tinha sobre esta Mesquita.


Dia 9, El Jadida - Casablanca- Tânger
Foi neste ultimo Sábado de Abril que fiz o meu nono dia de viagem. O objectivo era sair de El Jadida até percorrer a Costa Ocidental até Tânger o mais junto do mar possível. Como estava à vontade de tempo decidi não ligar a horas, gps ou programa, sabia que ia para Norte e as placas iam indicando as Cidades que sabia que ficavam no caminho. Queria assim absorver ao máximo tudo de mais ou menos estranho que se passa neste País, até porque neste Marrocos 2016 era o ultimo dia que tinha para isso, há obras na estrada por todo o lado, obras de construção civil também, umas começadas, outras abandonadas, outras com grande movimento, outras com grande aparato de gruas, outras acabadas e fechadas, depois há crianças que andam a toda a hora com a mochila às costas e não se percebe se vão, se vem da escola, há animais a pastar junto às bermas, muitos burros, com carga, outros levam pessoas, outros puxam carroças, há venda de animais, frutas, legumes, artesanato de barro, há imensos controles policiais, com radares na mão, que não entendo bem para quem apontam, mas vi alguns papéis a serem preenchidos.
Se à partida este dia seria só para cumprir calendário e chegar ao local onde seguirei por ferry para Espanha, acabou por ser uma boa surpresa. Casablanca, comecei a ver muitos turistas, o que me despertou a curiosidade, quando dei por mim estava na bilheteira a comprar o ingresso para visitar a Mesquita Hassan II, meti-me no grupo dos Ingleses, havia guia Francês e Espanhol também, o guia facilmente percebeu que eu era ali um intruso, ficou todo contente de ser Português e entre o Inglês ia falando comigo em Português e pedindo umas palavras que não sabia, a mesquita é extraordinária bem como toda a história das peregrinações que ali se passam.
Foi ao chegar a Tanger que veio outro ponto alto deste dia, e porque não da viagem!? As grutas de Hércules, o Viegas, o Fernando e a Andreia devem-se lembrar de no Marrocos ADV'14 lá irmos e estarem fechadas para obras, e que obras, ficou um espaço muito simpático com vista para o Oceano. Eram Marrquinos que lá andavam, muitos, que cada vez estão mais simpáticos com os estrangeiros, eu como riu para toda a gente, devem achar graça e retribuem também com sorrisos simpáticos, só espero que o tripé para tirar fotos não pegue moda, porque eles acham imensa graça eu tirar fotos a mim próprio sem ser com aqueles paus de selfie que as pessoas ficam com um ar muito esforçado para ficar a olhar para a câmara. As grutas são brutais, recomendo e quero voltar lá.


Amanhã faço os últimos quilómetros aqui em Marrocos, para dizer a verdade, devem ser uns 500 mts. daqui do hotel até ao barco, ficam já muitas saudades, mas a certeza que quero voltar, depois é a travessia para Espanha, atravessar a mesma que parece sempre não ter fim, e Portugal.



Dia 10, Tanger - Tarifa - Mafra
Este foi o último dia deste Marrocos 2016, por sinal o único em que estaria nos três Países que consistia esta viagem, Marrocos, Espanha e Portugal.
O bilhete para o ferry estava comprado à já alguns meses para a primeira travessia, às 8 horas, havia ainda 700 kms. para fazer e não queria chegar a casa á noite. Na fronteira a normal confusão, não se percebe bem onde ir ou que fazer, pedem passaporte, visto, passaporte novamente, bilhete, passaporte, uns fardados outros á civil, não adianta tentar perceber quem é quem ali.
Mas com a travessia feita a dormir, ainda bem, só acordei já o barco estava no porto de Tarifa e mesmo assim abanava muito, foi hora de equipar e seguir porque havia muito para andar, quando parei para comer alguma coisa já tinham passado duas horas e estava perto de Sevilha, portanto uns duzentos e tal kms. feitos seguidos, esta mota é magnifica, não me canso de referir. Apesar de muito vento, muito controle policial da guarda civil Espanhola, revista geral a carros, controle às motas, etc. ainda me mandaram parar, "Francês", "não Português", "siga", claro que só as motas Espanholas lhes interessam, lá fomos galgando caminho, com a normal ansiedade de voltar a casa. E foi mesmo com a satisfação de ter este sorriso lindo à espera que dei por terminada a minha maior Aventura deste ano.
 



Quase 4.200 kms. feitos em 10 dias. 




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Rota dos Faróis


Domingo, 4 de Setembro de 2016, data escolhida para pegar na minha Yamaha MT Tracer 900 e fazer a Rota dos Faróis...
Uma ideia que já me acompanhava à algum tempo, até porque sempre me fascinou os Faróis, objectivo percorrer a Costa Litoral desde o Cabo da Roca em Sintra até ao cabo São Vicente em Sagres, passando pelos Faróis da Costa Azul e Vicentina. 
Os Faróis, esses edifícios tão peculiares plantados à beira mar, elo de ligação entre Mar e Terra, companheiros luminosos de pescadores, marinheiros e navegadores de recreio. De dia a sua forma e cor servem de reconhecimento e de noite, as características da luz orientam os navegantes.
A saida de Mafra deu-se bastante cedo, ainda com pouca presença do sol, estando previsto bastante calor para este dia, havia que aproveitar a horas mais frescas aomáximo, e calor foi o que não faltou principalmente a Sul de Lisboa. Tracer em andamento e lá seguimos acompanhados de um intenso nevoeiro na zona de Mafra e Sintra, curiosamente ao passar a Serra desapareceu. Primeiro destino,  Cabo da Roca, já com o céu limpo. 



Cabo da Roca, ponto mais Ocidental de Portugal e da Europa, situado na freguesia de Colares, Distrito de Lisboa, o farol de forma quadrangular tem 22 mts. de altura. Ainda sem ninguém pelas sete da manhã, um calor abafado com céu limpo, algo invulgar nesta zona da Serra de Sintra. Deu para tirar umas fotos, contemplar a vista com um mar infinito, aqui onde a terra acaba e o mar começa.
Na descida da Serra para o Guincho a vista que acompanha a N247 cheia de curvas é majestosa com as praias e o mar sempre ao alcance dos olhos, a Tracer aqui está no seu terreno preferido com o nervosismo do tri a querer soltar-se. Cá em baixo a praia do Guincho, nunca desilude, seja Inverno ou Verão.


Poucos kms. depois do Guincho encontramos o Farol do Cabo Raso, pertence a Cascais, distrito de Lisboa, com o farol em forma cilindrica metálica, 13 mts. Altura. Um bonito farol isolado na estrada que liga Cascais ao Guincho.

Na Guia, Cascais, deparamos com este belo Farol da Guia, uma torre alta, 28 mts. altura em forma octogonal em alvenaria, forrada a azulejos brancos.


Farol Santa Marta, Cascais, situado junto da Marina, 20 mts. altura. Torre quadrangular de alvenaria, revestido a azulejos brancos com faixas horizontais azuis. Muito possivelmente o Farol mais bonito desta rota, toda a zona que o circunde ajuda para isso.

Farol São Julião, 24 mts. altura , situado no Forte Sao Julião da Barra, residencia oficial do Ministro do Estado e Defesa Nacional na Vila de Oeiras. Torre Quadrangular de alvenaria. Um imponente Farol este, rodeado de praias repletas de Veraneantes nesta altura do ano.

Farol do Bugio, No forte de São Lourenço do Bugio, Isolado no meio do Estuário do Rio Tejo. Trata-se de uma torre circular de cantaria branca com 14 mts. altura. Com o céu nublado sobre o rio, não foi fácil encontrá-lo, senão fosse a capacidade da máquina fotográfica dificilmente haveria registo deste Farol. 

Farol da Gibalta, situado na encosta de Gibalta, Caxias, tem 21 mts. altura, torre cilindrica branca, com cupulas e nervuras vermelhas, bem junto da marginal que liga Cascais a Lisboa, sob o Rio Tejo, encontramos este bonito Farol.

Passando a ponte 25 de Abril para a margem Sul, foi altura de chegar ao 
Cabo Espichel,Sesimbra, distrito de Setúbal,um Farol torre hexagonal, 32 mts. De altura (o mais alto desta viagem) e deveras imponente. A vista que se consegue daqui é impressionante, com direito a curtir a Tracer num belo estradão de terra batida até ao Farol, bastante trânsito no acesso ás praias, não fosse Domingo e o calor a convidar a um mergulho, mas com calma lá fomos galgando terreno até apanhar o IC1 e aí aproveitar para alegrar o ritmo como a Tracer bem gosta até ao Alentejo onde nos esperava mais uns faróis.
Em Grândola paragem para almoço, sopa, bifana e uma imperial e estava abastecido para mais umas horas.
Chegando a Sines encontramos na marginal, mas algo escondido porque fica recolhido o Farol de Sines, uma estrutura cilíndrica com 22 mts. de altura, merecia estar num local mais desafogado e visível.

Na Baía de Sines, foi altura de estacionar a Tracer e esticar as pernas apreciando toda a zona balnear, ainda com alguns banhistas neste quente Setembro. O dia já ia longo, e ainda havia muito para andar até chegar a Sul para depois subir novamente pelo Litoral até Mafra.
Mais uns bons kms. depois de passarmos por Vila Nova Mil Fontes, perto da Zambujeira do Mar encontra-se o 
Cabo Sardão, na Costa Alentejana, sobre o Oceano Atlântico, na freguesia de São Teotónio, distrito de Beja, Farol com torre quadrangular, 17 mts. altura.
A zona está muito bem tratada, com passeio pedonal que nos permitem vistas extraordinárias sob o Oceano Atlântico, onde podemos observar os rochedos, trabalhados pelo vento e mar, impressionante o efeito causado pelo Natureza aqui, a presença de turistas aqui é notória deliciados com toda esta paisagem.


E chegámos ao ponto mais a Sul da Aventura já perto das 18 horas, Farol do Cabo São vicente, situado no extremo Sudoeste de Portugal, em Sagres, concelho de Vila do Bispo, farol com torre cilindrica, 28 mts. altura. 
Aqui em Sagres, com quase 500 kms. feitos terminava a Rota que tínhamos estipulado para hoje, um café e água na esplanada e era tempo de regressar a casa, Mafra, o mais directo possível, evitando auto-estradas ou portagens, como sempre faço quando viajo de mota. Eram mais de 300 kms. para o regresso, a partir daqui as paragens seriam as indispensáveis, havia que aproveitar agora o gozo que é conduzir esta Tracer.
    Vista fabulosa de Sagres, vista do Cabo de São Vicente.
    No caminho, aproveitando um por do Sol maravilhoso, paragem em São Torpes, Porto Covo, com a dupla mota e piloto desta Rota dos Faróis.

Data: 4 Setembro 2016

Condições meteorológicas: céu limpo ou parcialmente nublado, temperatura do ar entre os 20 e os 36 graus. 

Mota: Tracer 900
Kms. percorridos : 819

Farol preferido: Farol Santa Marta 

Despesas
Gasolina: 55€
Alimentação: 15€
Total: 70€

Album de Fotos

quarta-feira, 22 de junho de 2016

N2, Estrada Nacional 2

                                                 

 738.5 kms. é a distância entre Chaves e Faro pela Estrada Nacional 2, a maior de Portugal e a única a atravessar o País de Norte a Sul. 

A data escolhida foi 10,11 e 12 de Junho de 2016, contando para isso com duas motas, uma Inglesa, Triumph Tiger 1050 do António Viegas e uma Japonesa, Yamaha MT-09 Tracer do Carlos Tavares. Uma dupla já com muitas viagens feitas em conjunto, o que permitiu organizar esta viagem de forma fácil e simples. O primeiro dia seria para chegar a Chaves com o ponto de encontro em Samora Correia, com passagem em Tomar, Serra da Estrela e Vila Nova Foz Coa, com a chegada a Trás os Montes já pelo fim do dia. Sábado seria para partir cedo do km.0 da N2 em Chaves e ir descendo com as diversas paragens sem pressas, até ao anoitecer. No último dia o objectivo era chegar a Faro, e regressar a Lisboa, também fora das AE's ou vias rápidas.
A N2 que liga Chaves a Faro num percurso vertiginoso pela espinha dorsal do País atravessa 36 Munícipes, com passagem nas seguintes localidades:
Chaves - Peso da Régua - Viseu - Santa Comba Dão - Penacova - Vila Nova Poiares - Castanheira de Pera - Pedrógão Grande - Sertã - Vila de Rei - Abrantes - Ponte de Sôr - Mora - Montemor-o-Novo - Torrão - Ferreira do Alentejo - Aljustrel - Almodôvar - São Brás Alportel - Faro

Depois da calma e impaciente dormida em Chaves numa pensão situada no centro da Cidade previamente marcada através do BOOKING, a viagem começou pela manhã bem cedo no marco bem situado, do km0 desta N2, foto da prache e toca a seguir caminho nas duas motas já atestadas no dia anterior. Os primeiros quilómetros são para apreciar todos os montes desta zona lindíssima, não estivéssemos nós nos Trás os Montes, bom asfalto, temperatura amena nesta altura do ano, pouco ou nenhum trânsito, condições ideais para a prática do Motociclismo. Até ao Peso da Régua, altura que completámos os primeiros 100 kms. desta longa estrada, não podia ser melhor, paisagem maravilhosa num intenso e imenso verde, estrada revirada com curvas e contracurvas sempre com um piso em óptimo estado. No Peso da Régua, paragem obrigatória junto ao rio Douro, aqui nota-se a presença de muitos turistas e claro motas que também andam a percorrer a N2, nada que nos impeça de tirar umas bonitas fotografias com fundo o rio, as pontes e claro as vinhas nas encostas.
 

Seguindo, no percurso divertido e revirado que nos ia mostrando o aumentar de kms. através dos marcos à beira da estrada, próximo destino e paragem Lamego com a obrigatória visita ao Santuário de Nossa Sra. dos Remédios, no topo do monte de Santo Estêvão, senão fosse pelas imponentes e fabulosas estruturas, colunas e escadas em pedras, só o caminho empedrado numa autêntica floresta até ao topo do monte já tinha valido a pena este pequeno desvio.
















Com a chegada a Viseu já depois do meio dia, foi hora de almoçar, e nesta zona de Portugal, as refeições são servidas em doses exageradamente grandes, mas a andar de mota tantas horas não convém descurar esse aspecto, claro que alcool em nível 0.
É depois de Viseu no caminho para Santa Comba Dão e Penacova que as indicações da N2 são difíceis de encontrar, coisa que até agora não tinha sido problema, as placas insistem em nos colocar no IP2, e além de nós via-se mais motociclistas um pouco perdidos também, com a requalificação que anda em curso nesta N2, creio que será uma das zonas a ter em atenção. Mas lá fomos conseguindo apanhar o rasto da mítica estrada que foi um grandes projectos do Estado Novo, a partir de 1930 começaram a ser alcatroados troços de pedra e terra, até que em 1944 é inaugurada, quem diria que passados 72 anos está para se tornar numa rota turística.
Circundando o rio Mondego vamos passando por Penacova, as paisagens continuam a ser deslumbrantes e apetece parar a cada minuto para levar um retrato fotográfico para mais tarde
recordar.


Vila Nova de Poiares, Pedrógão Grande com a majestosa Barragem do Cabril onde se vê já as novas bandeiras amarelas que estão a ser colocadas para indicar o km da N2,
Sertã onde aproveitámos para uma paragem à beira rio com a ponte Romana a nos fazer a delícia do olhar, Vila de Rei, onde alcançarmos o Centro de Portugal no ponto geodésico.
Abrantes onde nos cruzamos com o rio Tejo, pelas 18 horas estávamos em Ponte de Sor com 420 kms. feitos nesta maravilhosa N2, altura para jantar nas habituais bifanas e marcar o alojamento para esta noite, local escolhido Ferreira do Alentejo, após um telefonema com a confirmação de quarto disponível, e estômago aconchegado faltam 130 kms. até ao merecido descanso. Montargil, Mora, Montemor o Novo, aqui também a indicação da N2 se perde, mas com o nosso bom sentido de orientação já apanhámos o rasto sem grandes desvios, Alcáçovas, entretanto a noite caiu, passagem por Torrão com foto na bonita iluminada Igreja da terra e chegada a Ferreira do Alentejo pelas 22 horas, com 580 kms. feitos com tudo a correr como planeado, algum cansaço, mas sempre boa disposição.




A dormida foi no Pátio das Flores, um agradável alojamento local, com os donos, um casal simpático, sempre disponível para que nada nos faltasse, até as motas ficaram no bonito pátio interior da casa.
Domingo, mais um acordar cedo com o normal entusiasmo de quem anda e viaja de mota. Pequeno almoço tomado à conversa com os donos da casa, hora de abastecer as máquinas e tomar novamente a estrada que nos trouxe até aqui, Faro está já a 140 kms. de distância.









 N2, a única estrada que atravessa Portugal de Lés a Lés.

Estamos no Alentejo, tudo é seco em tons amarelos e nesta fase as longas rectas começam a aparecer, isto até entrarmos em território Algarvio porque depois de Almodovar entramos na Serra do Caldeirão e são mais de 50 kms. de curvas bem apertadas, com raides que nos transmitem segurança com a protecção inferior instalada a pensar em nós e outros que também andam de mota. Paragem obrigatória no miradouro do Caldeirão, mais uma sessão fotográfica e a chegada a Faro em breve se fez com os 738.5 kms. feitos nesta magnífica experiência. O registo fotográfico junto do marco final bem como da placa, recentemente inaugurada pelos dois Presidentes de Câmara das duas Cidades, que indica a direcção Chaves, foram tiradas. Uma paragem na Ilha de Faro e o regresso a Lisboa pela estrada Nacional para não estragar toda a magia que tiveram estes três dias.


ALBUM DE FOTOS