Seguir por Email

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Santo Amador 2017



A 34 dias da partida para a grande aventura deste ano, a Pirinéus-Picos 2017, decidi neste dia 6 e 7 de Maio fazer mais um ensaio, com um clássico, Santo Amador, pequena Aldeia Alentejana situada perto de Moura e da fronteira com Espanha.
Depois de uma manhã de trabalho, foi altura de montar na Tracer e fazer-me à estrada, depois de uma noite e manhã de chuva, o céu apesar de carregado de nuvens ia ficando cada vez mais azul e tudo apontava para que não fosse um passeio molhado.

A primeira paragem foi em Vendas Novas para a habitual e obrigatória bifana acompanhada de uma cerveja fresca, seguindo pelas estradas quase sempre desertas passámos por Montemor-o-Novo e rapidamente estávamos em Évora, não fosse a Tracer uma autêntica devoradora de estrada, faz-me esquecer facilmente os limites de velocidade, tal o gozo que o tri proporciona quando se solta e estrada permite circular de punho aberto. À entrada da Cidade à esquerda aparece o desvio que nos leva ao Alto de São Bento, um cabeço granítico situado num monte com três moinhos e onde se alcança uma vista privilegiada sobre Évora e toda a sua zona histórica.
Como é uma Cidade já bem conhecida de outras passagens que cá fiz, decidi seguir pelo IC2 em busca de lugares menos frequentados, o vento começou a aquecer e a quantidade de mosquitos a bater nas pernas e no capacete era impressionante nesta altura. Em Portel optei ir pela R384 até à Marina da Amieira, estrada com piso muito bom, num sobe e desce constante com curvas a fazerem as delicias à Tracer, são 20 kms. muito interessantes, até porque na chegada à Amieira começamos a ter vista da barragem, escusado dizer que neste pequeno troço, não apanhámos qualquer tipo de veiculo nos dois sentidos. Na Marina a tranquilidade da água do lago com os barcos na maioria atracados tornam este local um muito calmo. Como era cedo, e nesta altura os dias já vão sendo longos, em Alqueva parei no Museu do Medronho, um edifício imponente, muito moderno que além do museu, tem loja com artigos da herdade, um bar muito simpático e organiza passeios na propriedade, um café e umas recordações compradas e pouco depois estava com a Tracer na Barragem do Alqueva, qualquer adjectivo para descrever esta zona será sempre modesto.
Deixando a barragem para trás segue-se Moura, até ao destino de hoje são 18 kms. pela N258, e que estrada esta por muitas vezes que a faça tiro sempre o máximo gozo dela, até porque as motas vão variando e cada uma se ajusta mais facilmente ao tipo de estrada, aqui estas estradas reviradas a Tracer está em casa.
Santo Amador, pacata aldeia Alentejana de casas brancas, com 72 kms. quadrados e cerca de 400 habitantes, desde sempre um local que me diz muito, não fosse a terra Natal dos meus Avós maternos e onde ainda hoje tenho grande parte de família.
A aldeia tem alguns cafés e é no largo principal que encontramos a sua bonita Igreja e a torre do relógio. A cerca de um km. passa o rio Ardila com nascente em Espanha, aqui toda a paisagem é lindíssima num contraste fantástico entre o azul do céu, o castanho amarelado das encostas de terra, e o azul esverdeado da água. Para os mais aventureiros há a possibilidade de passar o rio e seguir pouco depois em estrada alcatroada até Amareleja, mas tendo em atenção que o nível de água varia e por acaso encontrei-o alto e decidi não ser boa ideia molhar a Tracer.




















Como tenho casa na aldeia, o local para dormir estava escolhido, as bagagem arrumada e o jantar foi em Safara, a aldeia mais próxima, no restaurante Cascata, com mota abastecida e piloto alimentado, chegou a hora do merecido descanso.
Acordar cedo, como faço questão de fazer em viagem, banho tomado, equipamento vestido e a ignição da Tracer novamente em ON, se há coisa que aprecio profundamente é a calma dos Domingos de manhã bem cedo, e que lugar melhor para isso do que o Alentejo, onde naturalmente já é tudo tranquilo e pouco povoado. Deslizando pela estrada fora, e parece estranho, mas com esta mota tudo parece perto, apesar de não ser uma referência em conforto, em meia hora estava em Mourão, optei por revisitar a nova aldeia da Luz, rodeada pela enorme albufeira da barragem do Alqueva.

Luz, Mourão e Reguengos é tudo relativamente perto, e não perdi a oportunidade para alcançar a melhor vista sobre o Alqueva no miradouro existente na parte baixa da fortaleza, ainda antes de começarem a chegar os autocarros cheios de turistas que habitualmente visitam esta zona.
Como tinha planeado almoçar em casa, a seguir a Reguengos foi só rodar até Mafra, seguindo por Évora, Vendas Novas, breve paragem para refrescar a garganta, Pegões, Vila Franca de Xira, Alverca, Malveira e Mafra, depois de 24 horas e 620 kms. ter partido para esta mini aventura, como sempre totalmente isenta de portagens ou vias rápidas.
Venha a próxima!

Data: 6 e 7 de Maio 2017
Mota: Yamaha Tracer 900
Kms. feitos: 620
Consumo: 4.5 lts. aos 100 kms.

Despesas:
-gasolina-43.50€
-alimentação-27€
-outras-9€
Total: 79.50€

ALBUM DE FOTOS

segunda-feira, 13 de março de 2017

Mafra-Matosinhos-Mafra 2017

Março 2017, dia 11 e 12, altura da última aventura de Inverno desta época 16/17. O destino fazia a bússola a apontar para Norte em direcção a Matosinhos, oportunidade para desfrutar da Sprint 1050, última aquisição do Dream Team, e que esta viagem será uma óptima oportunidade para conhecer melhor a mota, ainda para mais com revisão acabada de fazer em que levou pneus novos. Tempo já com sinais de Primavera, condições ideais para termos um fim de semana inesquecível, até porque pontos de interesse não vão voltar, tanto na ida como no regresso para Sul.    
A saída, como habitualmente deu-se em Mafra, bem cedo, pequeno almoço tomado frente ao convento e com uma neblina matinal partimos.
 A foto da praxe desta vez foi na porta da Tapada de Mafra, e começou da melhor maneira esta viagem com a N9-2, até ao Gradil, estrada revirada que a ST tanto se disponibiliza a dar gozo na condução, mesmo com as malas carregadas a sensação de leveza desta mota é impressionante.
A primeira paragem estava destinada para Rio Maior e as suas Salinas, antes das 9 horas já lá estávamos ainda com as típicas lojinhas de madeira fechadas, é um local muito simpático de visitar. Seguindo o IC2 com pouco trânsito e com bom piso na maioria do trajecto, pouco depois estávamos na Batalha e era hora de beber café e apreciar o bonito Mosteiro da Cidade, majestoso!
De novo na estrada, seguindo pelo IC2, já que esta como todas as minhas viagens são livres de portagens para absorver ao máximo tudo que os Países e localidades onde passo têm para mostrar, nunca entendi aquelas pessoas que viajam seja de carro ou mota e a maior recordação que levam para casa é os raids e linhas da estrada da AE, além do custo agregado a essas vias, principalmente em Portugal.
Até Coimbra fomos com o ritmo aberto, o céu continuava nublado, mas nada de chuva, apenas um vento frio que fez questão de nos acompanhar durante o fim de semana, algumas vezes até bem forte. Aqui é uma paragem obrigatória, o rio Mondego e toda a cidade é magnifica, é uma das minhas top 5 preferidas de Portugal certamente.
De Coimbra ao Porto são pouco mais de cem quilometros, hora e tal, portanto. Optei por seguir e almoçar já na Capital do Norte. Assim que as placas começam a indicar Porto, fica a sensação que tudo muda, como se outro País se tratasse, tudo começa a ser mais verde, o céu mais escuro e a quantidade de comércio à beira da estrada é impressionante, todo o tipo de comércio se vê, em maior ou menor escala, além de que existe um fenómeno interessante, e já não é a primeira vez que me apercebo dele, aqui nesta zona as pessoas conduzem muito devagar, e acreditem que é mesmo muito devagar, se fosse a rondar o limite permitido por lei já seria bom, claro que isso obriga a fazer muitas ultrapassagens, alguns em zonas proibidas a pisar o risco contínuo mas andar a 30/40 kms. por hora numa mota destas é praticamente impossível.
O almoço já foi em Vila Nova de Gaia, num daqueles tascos á beira da estrada onde se come barato e rápido.





No Miradouro da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia consegue-se seguramente a melhor vista sobre o Porto e o rio Douro, para lá chegar só veículos autorizados ou a pé, mas na descida ao chegar à mota vi um tuk tuk com turistas a subir, numa próxima não deixo a mota tão longe, até porque lá em cima há um estacionamento enorme.
Algumas voltas pela Cidade do Porto, nota-se uma enorme presença de turistas por todo o lado, não há muito trânsito num Sábado à tarde, mas semáforos, sinais de sentido proibido outros de sentido obrigatório, fez-me acreditar mais uma vez que Cidades grandes não são as minhas preferidas.
Sé, Casa da Musica, Avenida da Boavista,
Estádio do Bessa sec. XXI, Castelo do Queijo era alguns dos spots que levava na mente passar para ver e realmente apesar de todas as voltas e voltinhas para os encontrar valeu a pena.
O hotel marcado para esta noite era em Matosinhos junto à praia e foi para lá que seguimos numa altura que a Sprint marcava perto dos 350 kms. Mota estacionada, banho tomado, trocar de roupa e usei o táxi para ir até à Exponor, motivo que me trouxe até ao Norte, o Eros Porto 2017.
Depois de uma noite relaxante, eram sete horas e já espreitava à janela, a noite parecia que tinha sido chuvosa, tudo molhado e aquele céu tão característico junto ao mar no Inverno, mas nada que me desmotivasse para o resto do dia, até porque além da estrada molhada nas primeiras horas, chuva acabou por não haver até chegar a casa.
Com a ajuda do GPS lá saímos de Matosinhos, passando por Rio Tinto, Gondomar e depois aparece a fabulosa N108 que acompanha o rio Douro, e aqui fica difícil gozar ao máximo a estrada já que do lado direito vamos tendo uma visão descomunal sobre o rio, até chegar a Entre-os-Rios onde se atravessa o rio para o lado oposto.
Castelo de Paiva, bonita Vila onde aproveitei para tomar um reconfortante pequeno almoço numa esplanada na praça principal onde se encontra um estacionamento espaçoso exclusivo para motas, cabiam lá à vontade dois carros, pelos vistos aos poucos vai-se abrindo a mentalidade das autarquias para esta situação referente ao estacionamento para motociclos.  
O que vinha a seguir sem esperar acabou por ser um dos pontos altos desta aventura. A estrada que liga Castelo de Paiva a Arouca, a N224 é uma loucura total, são mais de vinte quilómetros de curvas e contra curvas num piso exemplar, tanto na qualidade como no estado do asfalto. Senão fosse a zona estar praticamente toda queimada teríamos aqui um cenário muito acima da média para a prática do motociclismo, mesmo assim deixo uma viva recomendação.
Em Arouca aparecem as indicações para a Serra da Freita, e foi por aí que seguimos, a cascata da Mizarela em Albergaria da Serra era uma referência previamente planeada.

É uma enorme cascata com 60 mts. de altura num dos pontos mais altos da Serra, onde o vento estava poderoso, mas vale a pena aqui uma paragem para apreciar esta maravilha da natureza.
Saindo da Freita, seguiram-se mais umas boas dezenas de curvas até São Pedro do Sul, Vouzela, entretanto fez-se hora de almoço e foi em Tondela no primeiro restaurante com bom aspecto que ele aconteceu, nas mesas ao lado falava-se com alguma tristeza da derrota da equipa de futebol da Cidade na noite anterior frente ao Sporting. Tondela uma cidade com aparente boa qualidade de vida. Já com 350 kms. feitos no período da manhã o que mais uma vez provou que esta Sprint é mesmo uma devoradora de estrada, excelente conforto e um motor com uma suavidade bruta capaz de passar de 8 a 80 em segundos.
Bem almoçado, no relógio indicava 14 horas e o GPS marcava 280 kms. até casa. A partir daqui as paragens seriam as indispensáveis para esticar pernas e repor líquidos quer na máquina como no piloto, a ideia era estar em Mafra antes do anoitecer. Segundo pelo IC2, Coimbra, Pombal, Leiria, Batalha, Rio Maior, Alenquer e aqui voltámos à diversão com a N9 revirada até Torres Vedras, depois Gradil e chegada a Mafra  pelas 18 horas e 858 kms. feitos em dois dias.
Aqui já o Dream Team todo reunido e agora é tempo de pensar já na volta de Abril.


Todas as fotos aqui!

Data : 11 e 12 de Março 2017
Mota : Triumph Sprint 1050 ST
kms. 858
Média consumo : 5.6 lts./100 kms.

Despesas:
Gasolina - 70.75€
Dormida - 35€
Alimentação - 33€
Outras - 35.50€
Total: 174.25€

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Olivença ou Olivenza? Portuguesa ou Espanhola?

À medida que nos aproximamos da grande Pirenéus - Picos 2017 Fevereiro é mês da sexta aventura desta temporada 16/17, destino escolhido a Sul em Espanha, uma terra que vive na indefinição de ser Portuguesa ou Espanhola.
Olivença é uma Cidade e Município em território de Espanha, segundo o Estado espanhol, e em território de Portugal  actualmente administrado por Espanha, segundo o Estado Português. Os dois Países vão-se mantendo em litígio sobre a situação enquanto a Cidade vai vivendo assim, e muitos dos habitantes até optaram por ter dupla Nacionalidade.
Olivença, situada no Distrito de Portalegre, seguindo a ideia Portuguesa, na margem Esquerda do rio Guadiana,  dista 23 km de Elvas, 24 km de Badajoz, 236 km de Lisboa e 424 km de Madrid.
Para lá chegar e no regresso pontos de interesse não faltam, vamos tentar aproveitar o maior número deles, ainda para mais optando pelo formato dia e meio com dormida já perto de Espanha. A mota para o efeito, a minha veterana Yamaha Super Tenere, ideal para quando a ideia é andar muito, quer pelo conforto, autonomia e uma total polivalência aliada a uma excelente capacidade de carga.
A partida para esta aventura deu-se em Mafra, com o habitual momento fotográfico frente ao Palácio Nacional da Vila. As previsões meteorológicas apontavam para alguns aguaceiros no Sábado mas sol no Domingo e temperaturas amenas tendo em conta que estamos ainda no Inverno não seria de esperar melhor.
Seguindo pela ponte Vasco da Gama até ao Montijo, para aí seguir em estradas Nacionais com pouco trânsito , como tanto apreciamos. Em Vendas Novas é uma paragem obrigatória para reconfortar o estômago, duas bifanas, uma imperial na esplanada enquanto ia olhando para o céu escuro a prever chuva contrariando as previsões, mas tal não aconteceu, nos dois dias. Entre Montemor e Évora há um desvio para Guadalupe com a indicação dos monumentos Megalíticos, e foi essa direcção que tomámos. 
Guadalupe é uma aldeia Alentejana, calma e pacata como todas as outras, pouca gente se vê na rua, o maior movimento é a passagem de carros ou motas em direcção ao Cromeleque. Da aldeia até lá são cerca de 4 kms. de terra batida bastante esburacada nesta altura do ano devido ás chuvas. Primeiro encontramos a indicação do Menir dos Almendres, mota estacionada, e a até lá só a pé, cerca de 300 mts. num caminho estreito rodeado de verde e animais como cavalos e porcos pretos que por ali vivem livremente.
Este Menir trata-se de um monumento megalítico isolado com 3.50 mts. de altura e está a cerca de 1000 metros de distância do Cromeleque.



O Cromeleque dos Almendres, é um circulo de pedras pré-históricas com 95 monólitos colocados em circulo criando um efeito fantástico e dos principais no género na Europa.
Montado na Super Ténere foi altura de gozar a estrada de terra até voltar de novo ao alcatrão e ir apreciando a paisagem Alentejana, maravilhosa nesta altura do ano. Passagem por Évora e o próxima destino era Reguengos de Monsaraz, base de descanso para esta noite, mas antes e aproveitando a luz de dia fomos até Monsarraz.



















Monsarraz é uma aldeia Mediaval, situada no alto de um monte e onde se alcança seguramente a melhor vista sobre o Alqueva. Toda a aldeia tem  pormenores deliciosos, seja numa porta, numa janela, numa esquina, numa fachada. Por muito que visite, consigo sempre alcançar nova paixão aqui. Apesar da hora, já final do dia, a presença de turistas é notória por aqui, principalmente Espanhóis.
 Já com o cair da noite desci à Cidade, apreciando o por do sol bem laranja, envolto em nuvens pretas. A dormida estava marcada para a Moira, unidade hoteleira já na saída de Monserraz a caminho do Alandroal, instalado numa quinta, que além dos quartos tem um restaurante onde se come bem e barato, e pela afluência que teve Sábado à noite é bastante popular na zona.
O pequeno almoço estava marcado para as 8 horas, pontualmente lá estava com aquela ansiedade de quem tem muito para andar de mota. Céu limpo, bastante vento e um ar frio, seria isto que me esperava durante a manhã. Equipamento vestido, mala na mota, motor a trabalhar, e vamos lá!
O Alqueva com o rio Guadiana é um cenário maravilhoso, fazê-lo de mota tem outro sabor, e para quem usa este tipo de veiculo percebe isso tão bem como eu. Como era cedo, antes de atravessar a fronteira, aproveitei para visitar o castelo de Mourão, era o único por lá aquela hora o que dá uma sensação de liberdade muito agradável. No alto das muralhas temos vista para o rio, aquele contraste de verde, azul e castanho é um cenário que supera em muito as nossas expectativas.









Passada a fronteira para Espanha, com o vento forte a querer dar novo trajecto à mota lá fomos seguindo estrada. Na primeira localidade, Villanueva del Fresno aproveitei para abastecer, 1.26€ o litro é de encher o depósito até à última gota, seguindo direcção Badajoz, encontra-se uma vila lindíssima, com um imponente castelo no topo, Alconchel.

Não resisti enfiar-me nas ruas da localidade em busca da estrada que levava ao topo da colina onde se encontrava o castelo, com entrada paga 1.50€ foi mais que recompensador este inesperado desvio. Do topo daquela torre a vista que se tem é qualquer coisa de extraordinário. Bem cuidado, com museu uma visita obrigatória para quem passa aqui e aprecia estes monumentos.
As placas iam indicando Olivenza, em Espanhol e lá chegámos a Cidade que deu o mote a esta aventura. Se está em território Português ou Espanhol não descobri, mas que aqui tudo se passa em Espanhol é mais que certo. É a língua que se fala e tudo parece tipicamente Espanhol.


Mas há sinais de Portugal, como por exemplo nomes de casas, as ruas tem placa com o nome Espanhol e por baixo em Português o escudo Português até aparece gravado na fachada da Igreja Santa Maria Madalena, construida por D. Manuel I no século XVI.


Olivenza é uma Cidade pequena, calma, pouco movimentada e aparentemente tem boa qualidade de vida.
 
De regresso a Portugal por uma estrada com piso exemplar, poucos quilómetros separam Olivenza a Elvas, cerca de 15 minutos. Já perto da Cidade Portuguesa temos uma série de curvas fechadas para descomprimir das longas rectas que atravessámos anteriormente.

Já em território Nacional, em Elvas, decidi visitar o Forte de Santa Luzia.
 Com entrada paga, 2€ vale a pena perder aqui algum tempo. O guia explicou a história do forte e pontos a ter em atenção, como a galeria que ligava por túnel o forte á Cidade e que actualmente aberto ao público num percurso com cerca de 150 mts. recuperado e devidamente iluminado, não aconselhável a quem sofra de claustrofobia.




















Em Elvas, seguindo a Nacional 373, direcção ao Alandroal, temos Juromenha no caminho, mais uma pacata aldeia na margem do rio Guadiana que senão fosse a sua imponente fortaleza iria passar completamente despercebida.


Sem esperar, foi aqui em Juromenha que alcancei o ponto mais alto da viagem. A enorme fortaleza num estado avançado de ruínas, com alguns edifícios a mostrarem obras de restauro, situa-se na margem do rio Guadiana e todo o aparato de paredes e casas degradadas criam um cenário espectacular, ainda para mais sendo o único por lá, naquela aparatosa construção que hoje é ruínas mas outrora já teve vida ali, uma sensação única.










Depois de Juromenha e completamente satisfeito com esta aventura de Fevereiro, próximo destino Mafra, seguindo por estradas secundárias livres de portagens, porque só assim faz sentido viajar de mota. Alandroal, Montemor-o-Novo, Vendas Novas com mais umas bifanas no Boavista, Pegões, Vila Franca de Xira, Bucelas, Malveira e chegada a Mafra pelas 18 horas ainda de dia e com 667 kms. feitos nesta Super Tenere.
Venha a próxima!






Mapa:













Mota: Yamaha XT1200Z 
Kms. feitos: 667
Média Consumo: 4.7 lts. aos 100kms. 
Despesas:
Gasolina - 48€
Alimentação - 28.50€
Outras - 3.50€
Alojamento : 25€
Total: 105€

DATA: 18 e 19 Fevereiro 2017

ALBUM DE FOTOS




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pirenéus-Picos 2017


Chegou a altura de revelar a minha Grande viagem desta temporada 2016/2017 que começou em Setembro com a Rota dos Faróis e mensalmente tem tido uma aventura até acabar na décima, a realizar de 10 a 18 de Junho com um dia extra o zero, que normalmente uso para fazer a aproximação à fronteira de saída do País. 
Vão ser dez dias de viagem divididos em quatro partes.
A primeira é a ligação de Mafra a Andorra, pequeno País entre França e Espanha, com principal destino turístico Andorra-a-velha, situada a mais de 1000 mts. de altitude, sendo a Capital mais alta da Europa na crista principal dos Pirenéus. Esta ligação vai ser feita com tempo e bem aproveitada porque temos pontos bastante interessantes pelo caminho.
A segunda parte da aventura e principal é a travessia dos Pirenéus, uma cordilheira no Sudoeste da Europa que criam uma fronteira natural entre França e Espanha, numa extensão de 430 kms. entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. Vai ser numa alternância frequente entre os dois Países que vamos fazer o percurso descobrindo ao máximo todos os locais que vão referenciados no programa, e são tantos....
A terceira parte já com os Pirenéus nas costas começa em San Sebastian, no País Basco Espanhol à beira do Golfo da Biscaia, onde se iniciará a passagem pelos fabulosos Picos da Europa no Norte de Espanha.
Por fim a quarta parte, que pouco terá para contar, já que é o regresso a casa, numa maratona Riano - Mafra, com as indispensáveis paragens. Este Pirenéus-Picos planeado e organizado desde o passado Outubro, espera agora pela data da partida, para fazer equipa com a minha veterana Super Tenere, companheira de longa data e já habituada a estas distâncias maiores. 
Como todas as viagens as semanas e dias antes da partida são de enorme ansiedade, por muitas viagens que faça há sempre aquela sensação de que falta alguma coisa ou que algo não está bem com a mota. Os últimos preparativos foram montar pneus novos na ST, mudar velas porque o motor andava a falhar em baixas rotações, isto depois de ter feito revisão na marca á 2.000 kms., verificar mala de ferramentas com kit furos para pneus, cabos de bateria, mangueira gasolina, várias abraçadeiras, etc., preparar o essencial dinheiro bem como vários cartões bancários, verificar se a validade do cartão Europeu de saúde está em dia, comprar medicação básica para alguma anomalia que possa surgir como dores de cabeça ou estômago, constipações, e claro as dores musculares ou de corpo, saco de higiene pessoal, roupa para dez dias, com peças curtas para calor e outras mais quentes como precaução para dias ou noites mais frescas, calçado vão as botas da mota, um par de ténis e uns chinelos, equipamento impermeável já que não apanhar chuva naquelas zonas durante uma semana será muito improvável, material fotográfico com os vários carregadores para máquinas, tablet e smartphone, e assim se enche as três malas da mota.  Hotéis marcados através do BOOKING que permite além de conseguir bons preços, uma desistência de última hora sem custos.
E chegou o dia da partida, um dia antes, que normalmente intitulo de dia Zero, acaba por ser uma oferta que dou ás viagens que implicam a saida do País, fazendo a aproximação á fronteira, evitando assim que o primeiro dia seja longo e cansativo....Bem cedo junto do Convento de Mafra já com mota atestada e devidamente equipado, segue-se uma manhã de trabalho e a tarde terá como destino Castelo de Vide no Alto Alentejo. 
Dia 0 Mafra - Mem Martins - Marvão - Castelo de Vide - 321 kms.
O dia Zero o tal extra que gosto de implementar nas minhas viagens  fazendo a aproximação da fronteira, isto para quem vive a 300 kms. da saida de Portugal evita que o primeiro dia de estrada seja muito longo e cansativo. 
Depois de uma noite mal dormida com a habitual ansiedade nestas alturas, o dia começou cedo em Mafra com a habitual fotografia junto do Palácio Nacional, seguiu-se uma manhã de trabalho e depois  de almoçar no fast food mais próximo foi seguir caminho pela Ponte Vasco da Gama, Coruche, Ponte Sor, Montargil, Portalegre e Castelo de Vide sempre debaixo de um enorme calor, como tal na chegada à bonita Vila Alentejana segui directo para o hotel e aproveitar para relaxar na piscina, deixando a visita ao Marvão mais para o inicio da noite já mais fresco e com roupa mais leve, um clássico sempre muito interessante de visitar, até porque para lá chegar implica passar pela lindíssima estrada das árvores pintadas. De regresso a Castelo de Vide estava na hora de jantar e como a noite convidava a faze-lo ao luar assim aconteceu, uma volta a pé pela bonita Vila Alentejana e o merecido descanso se seguiu.

Próximo destino, Segóvia, uma Cidade que tenho imensa curiosidade em conhecer.
Dia 1 Castelo de Vide - Segovia 435 kms.
O dia hoje começou bem cedo, 7.30h. já tomava o pequeno almoço no hotel devidamente equipado para um dia de estrada que se previa quente, logo aproveitar as primeiras horas mais frescas era prioritário.
Poucos kms. depois aparece a placa de indicação "Espanha" e mais uma vez aquela sensaçao de liberdade apodera-se do meu pensamento, olho para o gps e o primeiro sinal de mudança de direcçao é 90 kms. pensamento imediato "seca de estrad
a", mas não! A N521 que segue até Caceres é espectácular, piso exemplar, curvas abertas, subidas, descidas e claro longas rectas, com a vantagem de ter pouco trânsito, nesse percurso duvido que me tenha cruzado com dez viaturas, isto incluindo as duas da guarda civil.
Depois autovia sem portagens até Plasencia onde tudo se transformou ao seguir caminho na N110, principalmente nos primeiros 50 kms. que são feitos a subir com curvas bem apertadas, até chegar ao topo da Serra Gredos onde se atinge os 1275 mts. de altitude. Curioso é que no vale onde vamos subindo predomina a plantação da cereja e nas pequenas aldeias que se passa o negócio é a venda dessa fruta, cheguei a imaginar-me já nos Picos da Europa mas isso ainda não é para já. O resto da N110 não deixa de ser interessante, mais rápida e sempre com grandes serras no horizonte algumas ainda com neve nos pontos mais altos.
Passagem por Ávila e as 14 horas em ponto estava à porta do hotel marcado para hoje já com a mota abastecida e um calor abrasador em Segovia. Foi tomar um banho, roupa leve e ir conhecer os famosos monumentos da Cidade, Aqueduto, Catedral e Alcázar. Jantar na esplanada e regresso ao hotel para o merecido descanso com a mota a marcar 35 graus às 23 horas locais, escusado será falar de temperaturas durante o dia.


Amanhã o dia é longo dedicado à estrada com a chegada aos Pirenéus
Dia 2, Segovia - Andorra-a-velha, 666 kms.
Hoje foi um daqueles dias de viagem que quem anda de mota e a utiliza para viajar melhor entende, teve do bom ao muito bom passando pelo menos bom.
A saida de Segovia já foi mais tarde que o costume, a recepcionista teimava que o pequeno almoço só podia ser servido após as 8.30h. Lá fui arrumando a bagagem na motas e uns minutos antes da hora estabelecida lá comecei então a comer. Os primeiros kms. de viagem, 188 mais concretamente foram até Soria na Nacional 110, estrada que  fiz na totalidade desde Plasencia até Soria, qualquer elogio a esta estrada será sempre modesto, a recomendar e a repetir! Nesta altura a temperatura andou abaixo dos 30 graus e rendeu muito bem a manhã. Depois lá continuei em direcçao a Saragoza com paragem em Tarazona num dos bares para refrescar a garganta e enganar o estomago com um bocadillo de presunto e queijo, uma das coisas boas em Espanha é que em qualquer bar se petisca e assim vai passando o dia sem estar uma hora sentado à mesa como no nosso típico almoço.
Com a passagem em Saragoza perto das 13/14 horas numa imensidão de vias rápidas que mais parecem um labirinto baralhando por completo o gps, lá me safei daquele pesadelo, este é só um dos motivos que evito ao máximo viajar de mota por grandes Cidades ou vias rápidas. Para ajudar o painel digital da mota começa a subir para cima de 35 graus de temperatura ambiente para não mais baixar. Entre Saragoza e Lleida é uma secura total, com 38 graus a NII é um sofrimento, nem de capacete aberto nem fechado, esqueci os radares e quis me despachar daquilo rapidamente.
Depois de Lleida aparecem as primeiras indicações de Andorra, no horizonte as enormes montanhas e tudo começa a ficar mais verde. Assim que se começa a atravessar os primeiros desfiladeiros e aparecem os enormes lagos mesmo à beira da estrada o chip muda automaticamente e esqueci que a mota continua a insistir em marcar 38 graus, que o meu fato apesar de bem ventilado me ofereceu uma sauna ao ar livre, que apesar de já ter bebido mais de 2 litros de água continuo a ter sede e até que as picadas das abelhas com o calor fazem uma comichão desgraçada, já nada interessa, vim para as montanhas elas estão ali e é lá que eu e a Super Tenere nos sentimos bem.
Chegada a Andorra pelas 17 horas com 666 kms. feitos desde as 9 da manhã, primeira bomba de gasolina foi para atestar, gasolina a pouco mais de um euro é de aproveitar. O hotel está bem localizado, com parque fechado e coberto, e já ao entardecer foi hora de procurar jantar e passear por Andorra a Velha. Optei por ficar aqui dois dias para amanhã com a mota mais leve poder absorver o maximo de toda a zona circundante.

Dia 3. Andorra, 261 kms. 
Aproveitando o segundo dia de estadia em Andorra la Vella, decidi ter um dia livre de programa, horários e gps. Fui andando e subindo e descendo os cols que iam sendo indicados nas placas. Andorra é pequeno e antes do almoço estava em Pas de la Casa onde aparece a fronteira com França, dei uma volta a pé pela Cidade, além de lojas nada mais tem para ver, petisquei alguma coisa no bar junto ao estacionanento onde tinha deixado a Super Tenere e fiz uma pequena incursão em França. Nesta zona as estradas estão sempre bem movimentadas com motos de várias nacionalidades, mas predominam as Francesas, Espanholas e algumas Inglesas, em Pas de la Casa questionaram-me se era Polaco por causa do P, não fosse esta zona um verdadeiro paraíso para quem se desloca em duas rodas. Com temperaturas já aceitáveis abaixo dos 30 graus fizemos 261 kms. sem preocupaçoes de destino ou horário. Quando o calor apertou voltei ao hotel para descansar, saindo mais ao entardecer para procurar umas luvas, já que as minhas decidiram dar por terminada a sua missão logo no inicio deste Pirenéus-Picos 2017, e jantar a tão desejada paella, exactamente na mesma esplanada onde em 2015 tinha desgustado o saboroso prato no regresso do Stelvio Pass. Andorra vai deixar saudades, senão for antes em 2019 conto voltar no regresso de alguma viagem.

Amanhã volta as tiradas programadas já que o hotel está marcado em Biescas, e é o inicio da segunda parte da viagem, com a travessia dos Pirenéus, vão ser três dias para o fazer até chegar a San Sebastian com muito para ver.




Dia 4 Andorra-a-velha Sort Viella Biescas 427 kms.
Mais um dia quente de viagem com quatrocentos e alguns quilómetros feitos em estrada de montanha num saltitar entre Espanha e França e num sobe e desce constante de cols para ultrapassar as montanhas que iam aparecendo no caminho, com muitas quedas de água, vários túneis que era a única altura que se sentia um ar fresco, muita curva e claro motas e mais montas por todo lado, escusado será dizer qual o modelo mais visto em todo lado, em cada dez oito certamente são GS's 1200, mesmo assim já devo ter-me cruzado com meia dúzia de XT's 1200.
A saida de Andorra dá sempre um pouco de tristeza, se há lugar que gostasse de viver era ali. A passagem da fronteira foi cedo sem qualquer tipo de controle, e assim que apareceu a placa com indicação Sort pela N260 voltou de novo o ânimo, ainda fresco com nenhum trânsito foi curtir a magnífica estrada ao máximo. Depois voltaram os cols com muitos ciclistas que não entendo onde vão buscar inspiração para passar por aquele "sofrimento", falamos de subidas de 15/20/30 kms. Incrível! 

Seguiu-se Viella, Saint-Lary-Soulen onde se sobe muito com uma vista deslumbrante e se passa para Espanha através de um túnel a descer de 3 kms. Já em Espanha retomei a N260 no km. quatrocentos e tal, a tal estrada onde esta manhã rolei nos kms. das duas centenas, Fiscal com uma paragem para um lanche rápido, Sorrosal onde ao ouvir o som de uma enorme queda de água não resisti fazer uma curta caminhada debaixo de um sol abrasador para ir ver a imponente cascata, seguiu-se  Biescas onde tinha alojamento marcado. Como era cedo cerca das 17 horas, refresquei-me e após uma troca de ideias com o recepcionista do hotel lá arranjámos uma volta de cerca de 75 kms. até ao jantar. Subi até Balneario de Panticosa numa das muitas estradas reviradas de montanha que tenho encontrado nesta Aventura, com muita queda de água pelo caminho, lá em cima a estrada acaba numa estância termal num imenso vale paradisíaco com um enorme lago rodeado de umas imponentes encostas verdes onde se vêm várias quedas de água vindas do topo.
Biescas situa-se no imenso Valle da Tena, uma zona de grandes montanhas e lagos gigantes, que amanhã aprofundarei melhor e será a continuação desta Aventura...
Dia 5 Biescas - Ordesa - Valle do Tena - Formigal - Gavarnie - Luz St. Sauver - 346 kms. Este dia 5 tinha no pograma 185 kms. e acabou por 346 marcados no painel digital da Super Tenere.

Saida cedo de Biescas em Espanha, decidi e bem fazer um desvio até ao parque nacional de Ordesa e Monte Perdido, até porque para lá chegar tinha que repetir os 27 kms. de curvas da N260 tanto para baixo como para cima, mas valeu bem a pena é uma zona num vale gigante com rio a vir das encostas, como estava folgado de tempo andei por lá perdido, no bom sentido claro, até estrada de terra fiz, supostamente acesso a um parque de campismo mas às tantas decidi voltar para trás.Uma das vantagens de viajar sozinho é mesmo essa, somos donos do nosso tempo, e gerimos tudo como entendemos, este estupendo acréscimo que introduzi ao programa inicial é a prova concreta disso mesmo.
De volta a Biescas onde tinha passado a última noite e de barriga cheia de curvas, novo abastecimento e segui pelo Valle de Tena, zona de muitos e grandes lagos de água azul e altas encostas verdes, uma zona a lembrar já os Picos da Europa em formato XXL, Formigal grande estância de ski no Inverno foi onde aproveitei para comer uns bocadillos de presunto e queijo numa esplanada paradisíaca com vista para um enorme lago. Depois foi um sobe e desce novamente de cols, quatro devidamente documentados através de fotos que poderão apreciar mais abaixo no Album, no terceiro Col o de Soulor, estava a 35 kms. do hotel, mas a descida estava cortada e obrigou-me a fazer um desvio de cerca de 100 kms. com passagem em Lourdes e tudo, atrasou a chegada ao hotel em duas horas e assim também está explicado o número extra de kms. para hoje.
Mas lá cheguei ao lindissimo hotel em Luz St. Sauveur, pequena aldeia, estrategicamente bem escolhida por estar a 20 minutos de Gavarnie. Banho tomado, roupa leve e de novo na mota no caminho que nos levava a um dos grandes momentos da viagem. São 20 minutos numa enorme garganta sempre ao lado de um rio e com as altas encostas com um verde escuro sem igual. Mota estacionada, apareceu uma Sra. de bicicleta a dizer que o parque era pago 1€, prontamente paguei. Casaco e capacete nas malas, levar só água e material fotográfico e lá segui, mais de uma hora certamente até ao incrível Cirque de Gavarnie, cheguei lá encharcado que o calor mesmo ao fim do dia apertava e bem. Mas valeu a pena, não sei se lá volto, mas aquele momento já fez compensar toda esta viagem, verdadeiramente impressionante, ainda por cima a hora que lá cheguei era a única pessoa por lá. De volta a mota e a descer até pareceu mais curto o regresso até à vila. Regresso ao hotel para o merecido descanso. 
Gavarnie é uma pequena aldeia Francesa situada no Parque dos Pirenéus a 1400 mts. de altitude. A cerca de uma hora de caminhada encontramos Le Cirque de Gavarnie, classificada como património Mundial da Unesco, uma queda de água de 422 mts. de altura, a maior da Europa. Para terem uma ideia as torres mais altas da ponte 25 de Abril sobre o rio Tejo têm 190 mts. acima do mar, esta cascata gigantesca tem mais do dobro. 




Dia 6. Luz St Sauveur - Lourdes - Biarritz - San Sebastian - Astigarraga - 355 kms.
Mais um dia de viagem que não sendo tão estimulante como os três anteriores não deixou de ser interessante. Como as previsões indicavam houve uma mudança radical na meteorologia, cerca de 10 graus a menos 
i ficando pouco acima dos 20, céu muito nublado e chuviscos em certas alturas, mesmo assim arrisquei não montar o forro impermeável do equipamento e não chegou água à pele.
Tinha dois cols previstos para hoje, no primeiro logo nos primeiros kms. apareceu um nevoeiro que mal se via, decidi prontamente abortar a subida, seria perigoso e lá em cima pouco ou nada iria ver. Decidi seguir directo para Lourdes, um local estilo Fátima mas em ponto mais pequeno, a Cidade em redor do Santuário é um mundo de hotéis, cafés, restaurantes, lojas, já tinha lido que é a Cidade Francesa com maior percentagem de hotéis por metro quadrado, não duvido! Mesmo assim tudo é calmo e sereno até a nível de trânsito com bastantes parques de estacionamento, viajar de mota tem certas vantagens, como poder estacionar perto da entrada sem pagar. Não sendo muito ligado a crenças religiosas senti em Lourdes uma ar de extrema tranquilidade, e claro é impossível ficar indiferente a toda a arquitectura do edifício, maravilhosamente belo.

Com uma enorme paz de espírito segui viagem, seguindo as indicações do gps e deixando a mota deslizar até porque trânsito era pouco ou nenhum. Adoro viajar nas nacionais Francesas, se bem que a gasolina apresenta preços ao nível de Portugal, mais de um euro e meio por litro, mas está tudo bem sinalizado, linhas no alcatrão bem marcadas, sempre um enorme verde em redor e quem anda de mota sabe o que é respirar esse ar fresco, aparentemente não há controlo policial, ao contrário de Espanha em que carros da guarda civil e policia estão e aparecem em todo o lado. O sentido da bússola era sempre Oeste até chegar a Biarritz e à margem do oceano Atlântico, aqui havia uma enorme confusão de pessoas e motas, sem procurar dou comigo e à Super Tenere na porta do recinto do Wheels and Waves, estava explicado! Devem ter estranhado uma mota daquelas com um fulano com traje adventure ali, mas como aquela nao é a minha praia segui o meu caminho.
Uns kms. à frente apareceu a indicação de St Jean de Paul. decidi ir ver e realmente a praia é maravilhosa. Pouco depois estava no hotel em Astigarraga, a cerca de 10 minutos de carro até San Sebastian, mais uma Cidade à beira mar neste enorme golfo da Biscaia, onde pelo cair da noite fui jantar e aproveitar para conhecer um pouco.
Assim terminou a segunda parte deste Pirenéus-Picos 2017, nos próximos dias estou em modo Picos da Europa, uma zona que domino bem, mas mesmo assim vou tentar criar alguns momentos originais.
Dia 7. San Sebastian - Potes - Fuente Dé - Ojedo - 456 kms.
Cada vez mais perto de casa, este dia 7 foi longo e bem rodado, 456 kms. no total, em que os primeiros 405 foram a ligação Astigarraga Ojedo onde tinha hotel marcado para este noite.
Com a manhã a começar chuvosa e fria, foi altura de montar forro impermeável no equipamento e calçar luvas de Inverno que vinham no fundo da mala para uma eventualidade destas. Chuva, nevoeiro, vento, frio, até soube bem para acalmar todo o calor suportado nos últimos dias, pessoalmente gosto de conduzir moto nestas condições, há uma maior atenção e entrega à máquina, parece que criamos uma ligação mais próxima, serras sem qualquer ser vivo à vista, algumas vias rápidas sem portagem, bastantes camiões nalgumas zonas, estradas só de uma faixa, o gps lá foi indicando o caminho para Potes. Já com as grandes montanhas à vista o céu começou a ficar azul novamente e o calor voltou. Deste caminho todo o melhor foi mesmo os últimos 50 kms. até Potes na estrada que vem de Plasencia, na subida da montanha Palentina em que no topo a 1450 mts. de altura se encontra o mirador Piedras Luengas com uma vista descomunal, são 25 kms. a subir outros tantos a descer sempre com a mota inclinada, um delírio para quem tiver oportunidade de a fazer.


Chegada ao hotel antes das 14 horas, 405 kms. feitos e devidamente documentado como gosto de fazer nas minhas viagens, ouço muitas pessoas dizer fui aqui e ali de mota, mas registos desses feitos são poucos ou nenhuns, além da minha paixão por fotografia, como é óbvio. Almoçado e com duas paragens para abastecimento outras tantas para as fotos do costume que ajudam a esticar as pernas, refrescar a garganta e verificar se na mota está tudo nos conformes. Foi deixar a bagagem e seguir para Fuente Dé, já lá tinha estado mas nunca subi no teleférico, hoje estava decidido que o iria fazer, à troca de 17€ ida e volta numa viagem que não dura mais de 4 minutos lá fui e realmente não faz a mínima impressão, até faz mais ver o teleférico cá de baixo ou lá de cima suportado pelos cabos do que lá dentro. No topo vista é deslumbrante principalmente num dia de céu limpo como tive a sorte de apanhar hoje. No regresso ao hotel parei na bonita Vila Potes para lanchar/jantar já que já eram 18 horas locais numa bonita esplanada com vista para a ponte Romana, já no hotel até ao entardecer relaxamento total na piscina do hotel.
Segue-se um dia totalmente dedicado aos Picos da Europa na terceira parte desta aventura. É a quinta vez que cá venho, já cá estive duas vezes com a V-Strom, uma de carro, outra de XT que desta vez bisa a zona, e até acredito que ainda cá volte mais vezes, por isso será um dia para revisitar lugares que tanto adoro...
Dia 8, Ojedo - Sortes - Covadonga - Cangas de Onis - Riano - Huergano - 260 kms.
Hoje dia nos Picos da Europa, terminando assim em Huergano a 8 kms. de Riano a terceira parte deste Pirenéus-Picos 2017.
O parque Nacional Picos da Europa já não me cria grande expectativa, esta foi a quinta vez que visitei a zona, mas dá-me uma enorme satisfação sempre voltar a este enorme conjunto de montanhas cheias de desfiladeiros e estradas em forma de serpente. Comecei o dia com a subida até Sortes, numa estrada fabulosa, lá encontram-se uns bares e lojas de recordações, café tomado e toca a descer, desfrutando da mota mas sempre com atenção aos animais que livremente se encontram na estrada. Passagem pelo vale de Poncebos, outra obra conjunta da natureza com o homem digna de se elogiar e apreciar. Covadonga onde encontrei o simpático casal amigo Miguel e Silvia, dois dedos de conversa, visita à bonita capela embutida no rochedo, e toca de subir mais 12 kms. em direcçao aos lagos, o primeiro que se encontra é o Enol, o seguinte estava cortado o acesso e com o calor que fazia nem pensei em fazer a caminhada até lá, espectacular o cenário verde com a água, as montanhas e as vacas ali à solta já familiarizadas com a presença de pessoas.

Segiu-se Cangas de Onis, onde voltei a encontrar o grupo de Portugueses que acompanhavam o Miguel e a Silvia, umas recordações compradas, um gelado comido e de novo estrada de montanha com muitas curvas até Riano, quase 80 kms. num gigantesco vale com destaque para o dos Beyos, uma maravilha para quem anda de mota. O hotel para hoje, noite de despedida dos Picos é em Boca de Huergano na entrada dos Picos, mais ao entardecer voltei a pegar na mota e ir ver o enorme lago de Riano já com o sol a por-se. Jantar no hotel, bom por sinal com comida típica da zona, tal como faço questão de fazer por onde passo.
Mota atestada, amanhã quarta e última parte da viagem, numa longa maratona Riano a Mafra, mais de 700 kms. em que paragens só serão mesmo as indispensáveis.
Dia 9 Riano - Mafra, 827 kms.
Último dia de viagem, e quarta parte da aventura, a ligação directa de Boca de Huergano a Mafra, segundo o GPS seriam 770 kms. para tal, decidi levantar cedo, tomar o pequeno almoço e seguir em ritmo aberto nas primeiras horas do dia. mais frescas e menos trânsito. A estrada junto da barragem de Riano é fabulosa, depois é continuar em direcção a Leon, Zamora, Salamanca, Cuidad Rodrigo, sempre com vias rápidas não pagas. Com quatro horas rodadas, em que houve duas paragens para abastecimento estava na fronteira de Portugal, com 420 kms. feitos.

Em Portugal segui pela estrada nacional, tal como em toda a viagem, e as que faço, uma das regras é não pagar portagens, só assim se conhece e absorve todos os locais por onde se passa, Penamacor Castelo Branco, Vila Velha Rodão, Nisa, Ponte Sor, Couço, Montijo, Loures e Mafra, num total de 827 kms. debaixo de temperaturas abrasadoras, chegadas a Mafra pelas 17 horas.

Foi com alguma tristeza que na entrada em Portugal encontrei o céu com bastante fumo no ar e um cheiro intenso a queimado, na passagem pela serra da Malcata cheguei a pensar que seria fogo por ali, só numa paragem que fiz em Vila Velha de Rodão para comer alguma coisa num café vi na televisão as noticias da tragédia de Pedrogão Grande, o resto da viagem foi com essa mágoa na cabeça.A mãe Natureza tanto nos dá o melhor como tive oportunidade de receber na passagem nos Pirenéus e nos Picos da Europa, como nos castiga severamente, e quanto a isso o homem nunca será capaz de se proteger. 
Chegado a Mafra depois de 4.362 kms. feitos em dez dias numa média diária impressionante, para terem uma ideia fora dezassete abastecimentos, uma grande satisfação de mais um objectivo antigido sem azares ou avarias.
Senão for antes, voltamos em Outubro com novo destino....

ALBUM DE FOTOS

Total de kms.: 4.362
Mota: Yamaha XT1200Z
Média consumo: 4.6 lts./100kms.

Despesas:

- Hoteis - 382€
- Gasolina - 303€
- Alimentação - 434€
- Outras - 34€

Total: 968€

(Total estimado antes da partida: 1000€)