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terça-feira, 16 de maio de 2017

Ano 2017 em balanço

Ano 2017, começou logo no sexto dia a comemorar o quadragésimo sexto aniversário, e que melhor local do que a zona mais alta de Portugal?
A Serra da Estrela, três dias passados em família com visita a locais magníficos, Jardim Botânico em Coimbra, Fraga da Pena, Piodão, Foz da Égua, Poço da Broca, Torre e a sua neve, Covão da Ameatade, Poço do Inferno, Museu do Pão em Seia, Praia Fluvial de Loriga.
Aproveitando o sol radioso que se fez em Janeiro e não ligando ás temperaturas baixas, tivemos o conhecimento da N9 no troço entre Torres Vedras e Alenquer. Ainda em Janeiro, a convite do António Viegas fomos Á conquista de Dornes, zona maravilhosa perto de Tomar.
Fevereiro foi o mês de voltar ao Alentejo com um pulo a Espanha para a Olivença ou Olivenza? uma aventura repleta de histórias e pontos de interesse.
Março foi o mês de rumar a Norte, até Matosinhos com a Sprint, foram 858 kms. em dois dias, onde andámos por terras mais ou menos conhecidas, como Porto, Entre Rios, Arouca, Serra da Freita e muito mais num inesquecível Mafra-Matosinhos.       
Abril foi mês de Páscoa, destino escolhido com a família, Nazaré. Pascoa 2017   onde através do funicular se chega ao Sitio para se conseguir uma vista única sobre a vila e praia, bem como a Norte, curiosamente na praia do Sul onde se vêm as maiores ondas do Mundo.             

No inicio de Maio fui até ao Alentejo com a Tracer, a Santo Amador, com muitos e tão bonitos locais no caminho. Santo Amador 2017. Curiosamente esta foi a última viagem da Tracer 900, porque no dia seguinte apareceu um comprador que a levou. Foram 15 meses e 11.700 kms. juntos em que não conseguimos criar laços que prometessem um longo futuro de satisfação, bastantes problemas na garantia, mais ou menos resolvidos, assistências caras, e um aspecto geral bastante frágil da mota que não se enquadrava no que pretendo de uma mota, fez com que a nossa relação terminasse numa fase prematura.


Foi em Reguengos com vista para o imenso lago do Alqueva que registámos em fotografia o último momento juntos. Se haverá substituta a curto ou médio prazo é uma incógnita ainda.


Maio acabou por ser arrasador para o Dream Team, já que na recta final trouxe a despedida da Triumph Sprint 1050 ST, uma mota com que tive óptimas experiências, relatadas aqui no blogue, como a ida a Matosinhos, mas que não conseguiu mostrar-se uma opção de primeira escolha, a partir daqui seguimos viagens com a XT1200Z a única sobrevivente da equipa. Fica aqui uma série de momentos fotográficos com a Sprint 1050.
Este Maio que já teve tanto para contar, acaba da melhor maneira, até porque a vida não é só motas e viagens, é no 29 que a minha filha comemora o
nascimento, neste 2017, tivemos o privilégio de celebrar o seu 6º aniversário.
Junho, é o mês que escolhi para a grande viagem anual, antes da partida os habituais preparativos e claro muita ansiedade para os dez dias de Pireneus-Picos 2017. Foram dez dias, mais de 4.200kms. feitos na Super Tenere com momentos de grande satisfação, passagem por zonas maravilhosas, como Segovia, Andorra, Gavarnie, Lourdes, Picos da Europa.
Julho é um mês mais dedicado à família servindo a mota apenas para deslocações diárias casa trabalho, e mesmo assim vivendo em Mafra e trabalhando em Mem Martins são cerca de 60 kms. seis dias por semana. À sete anos que vivemos nesta simpática Vila do Concelho de Mafra e é neste mês que durante o mesmo período de tempo tem ocorrido a Festa do Pão no jardim do Cerco junto ao Palácio Nacional onde além dos jogos tradicionais, concertos de música e outras animações, os restaurantes e pastelarias da zona se instalam e servem as especialidades da zona nas barraquinhas instaladas no jardim. Uma festa que de Ano a Ano tem crescido bastante a nível de visitantes.
Não tem sido um Verão quente até pouco apelativo á praia, como tal há que arranjar soluções fora do mototurismo e das zonas balneares,  vivendo perto de Sintra, locais de interesse para visitar é o que não faltam, como a Quinta da Regaleira, onde num Domingo ventoso mas ensolarado junto da família aproveitámos para ser turistas no nosso País. Uma riqueza de monumentos e edifícios enquadrados num enorme jardim verde onde se respira uma enorme tranquilidade. E no último Domingo do mês, foi a Batalha e o seu majestoso mosteiro e Porto de Mós e o castelo da Vila que mereceram a nossa visita.

Agosto continua a ser um mês em que a mota serve apenas para deslocações diárias entre Mafra-Mem Martins-Mafra e mesmo assim são quase sessenta quilómetros, seis dias por semana, e mesmo assim vai haver pelo meio as merecidas férias de Verão com a família. Sei que é a altura do Ano em que a maioria mais usa as motas, período de férias, concentrações motards, pessoalmente e não sendo adeptos de grandes ajuntamentos, prefiro meses mais calmos na estrada e com clima mais ameno, entre Outubro e Junho é a altura que mais me seduz conduzir por essas estradas fora de moto, e para começar a época quando faltam já menos de dois meses está agendado a Sul de Espanha 2017. Já um clássico no Verão é levar a família ao Mercado Medieval de Óbidos, onde se vive um ambiente muito acolhedor a recriar os tempos antigos e se petisca uns bons grelhados e vários doces da região, claro que a imprescindível ginga não pode faltar.

Este Agosto continua a surpreender pela positiva, ainda sem mota chegaram as merecidas férias de Verão com a família, foram treze dias em que a Super Tenere ficou fechada na garagem com bateria a receber carga. Com três bases percorremos o País pelo Centro e Sul, num total que ultrapassou os 1.500 kms., curioso é que optámos e bem por evitar as vias rápidas e portagens, tal como faço sempre que viajo só com duas rodas. E que boas estradas temos no nosso País, bem conservadas, com pouco ou nenhum trânsito ao contrário do que se passa nas auto-estradas conforme sendo noticiado nos canais informativos, e com a vantagem de conhecermos melhor as zonas que vamos passando. Primeiro alojamento na pacata Vila de Porto de Mós, onde aproveitámos para visitar Alcobaça e o seu maravilhoso Palácio, Batalha, Pia do Urso, Fátima à noite num registo que consegue ultrapassar qualquer imaginário, de tão fabuloso que foi, mesmo não sendo dado a religiões, praia de São Martinho do Porto, Grutas de Mira de Aire, outro ponto alto destas férias, que local de sonho! Tomar, com passeio pelo centro da Cidade e a obrigatória visita ao Convento de Cristo, pessoalmente a nível de Palácios ou Castelos, este é o meu preferido em Portugal. Descendo para Sul com uma paragem em Almeirim para a saborosa sopa da pedra, montámos o pousio em Santo Amador, perto de Moura.



Aqui no Alentejo onde o calor apertou dia e noite, com temperaturas superiores a 35 graus, também tivemos locais de interesse de topo. A Cidade Moura, com as suas bonitas ruas, várias igrejas, um castelo e um enorme jardim, praia fluvial de Mourão bem como a de Reguengos de Monsaraz, que fez as delicias do elemento mais jovem da família através das suas águas calmas e quentes, locais paradisíacos! Monsaraz sempre majestoso visitado à noite e com aquele calor Alentejano acabou por ser a melhor opção.
Descendo mais a Sul, tínhamos a restante a família à espera no Carvoeiro, onde passámos os últimos quatro dias de férias.
Noites quentes, dia de diversão no Slide & Splash, convívio com a família, sardinhas em Portimão, muita piscina e descanso, assim acabou a recuperação de forças e energias para os próximos meses. Regresso feito a Mafra pela N125, IC1, ponte Vasco da Gama onde pagámos a única portagem destas férias! e N8 até Mafra.
Agora a pouco mais de um mês do Sul de Espanha 2017, a ansiedade começa a apertar cada vez mais....
Entrada em Setembro, voltar ao trabalho e ao contacto diário com a Super Tenere, são cerca de 60 kms. diários em que vou mantendo o contacto com a máquina e corrigindo pequenos por menores para as grandes viagens que aí vem. Entretanto a nível de facebook, decidi criar uma página exclusiva para as viagens de mota, poderão seguir aqui....
Já em despedida do Verão ainda houve tempo para uma passagem na terra que me viu nascer à 46 anos, Lisboa. sem estar no meu top
de preferências não deixa de ser uma visita sempre agradável com uma boa dose de magia, pasteis de nata, castanhas assadas, ginja, frango assado, até pode ser coisas que se encontram noutras zonas do País mas nada como saboreá-las na baixa da Capital Portuguesa.
Entretanto aproxima-se rapidamente a data de partida para a Sul de Espanha 2017 e apesar de tudo planeado e reservado à alguns meses há sempre um último retoque a dar.
E foi no Magoito na sua lindíssima praia que demos as boas vindas ao Outono, altura do ano que mais gosto de andar de mota.
Outubro finalmente chegou, mês de voltar à estrada, antes da partida para o Sul de Espanha houve mudança de óleo na Super Ténéré,e um último ensaio geral pelo Oeste. Malas prontas, nova aventura espera por nós nos próximos dias....

Regressado do Sul de Espanha 2017, há que fazer o balanço da viagem, Foram cinco dias em que ultrapassámos os 2.000 quilometros, como pontos altos Ronda, Cordoba e o Fort Bravo no deserto de Tabernas. Espanha mais uma vez mostrou ser um País enorme, as distâncias entre cada Cidade são sempre grandes e cansativas. Esta aventura não ficou entre as minhas preferidas, não pelos lugares visitados mas pelo que se andou para visitá-los. Tendo como comparação Marrocos, Pirinéus, Picos da Europa ou Alpes esta zona fica claramente atrás, mas como havia bastante curiosidade em conhecer, ficou registado! Ainda em Outubro, aproveitando muito possivelmente o último Domingo e dia quente deste 2017, mais um dia marcado pelos fogos e mortos neste nosso cantinho da Europa, aproveitei por levar a família à margem Sul com visita
à Adega Museu Bacalhôa, onde além de se poder ver autênticas obras de arte da colecção, visitar as adegas se prova e pode comprar os maravilhosos vinhos da zona. Passagem ainda pelo Cabo Espichel e Sesimbra.
Agora sim declaramos aberta a época de Outono com as primeiras chuvas e os dias a ficarem cada vez mais pequenos.....
Já com saudades de uma volta "caseira" escolhi a Serra de Montejunto para matar as saudades da Super Tenere, isto porque depois do Sul de Espanha 2017 pouco ou nada tínhamos andado. Com perspectivas de um Domingo de sol, esquecendo o frio que já faz nesta altura do Ano aproveitei a manhã de Domingo para fazer 170 kms. de pura diversão, na Serra de Montejunto encontrámos pouco trânsito, estradas reviradas com melhor ou pior asfalto, contacto com a natureza com muita serra, imaravilhosas paisagens, tradicionais moinhos, é assim que nos sentimos bem a andar de mota.
Novembro tem sido com temperaturas amenas e sem chuva, chegámos aos 60.000 kms. na XT1200 feitos desde Dezembro 2011, tudo indica que vamos manter-nos juntos mais uns anos, como se costuma dizer em equipa que ganha não se mexe. Revisão feita, desta vez fora das oficinas oficiais da marca que tanto me têm desiludido, tanto nesta mota como na Tracer, alguns ajustes feitos e venham viagens que a máquina está pronta!
2017 ainda vai mexendo, com a meteorologia favorável a andar de mota, lá fomos nós em nova aventura antes de entrarmos no último mês do ano Serra de Aires e Candeeiros 2017.
Ainda em Novembro, com condições ainda propícias para o uso das duas rodas, aproveitei uma manhã de Domingo para rodar na bonita Costa Oeste, de Mafra a São Martinho do Porto, 252 kms. das 8 às 13 horas, número inesperado porque a ideia era ir tomar algures um café, mas são estas "voltinhas" que nos vão preparando para os grandes desafios de 2018.
Ainda alguns cartuchos guardados para Dezembro, o tempo está frio, mas com sol, escolhido foi o Ribatejo para uma curta visita no primeiro Domingo deste último mês de 2017. Em busca do Silas! 
E não é que ainda havia uma carta na manga para lançar antes de 2018!? E que carta! Um dia em pleno pelo Sul de Portugal sem medo ou receio de frio, chuva ou outra qualquer adversidade, o FERIADO ALENTEJANO II.
E chegámos às últimas horas de 2017, um Ano bastante positivo, que foi marcado pelo emagrecimento do Dream Team, em Janeiro era composto por três motos e chega a Dezembro com uma, isto para não falar que à quatro Anos atrás o Team era composto por seis motos. Mas foi uma redução propositada para reduzir custos e dar mais ênfase ao que realmente imposta, as viagens! Em 2017 foram muitas e boas com especial destaque para PIRENEUS-PICOS 2017 e o SUL DE ESPANHA 2017 mais tantas outras embora mais pequenas mas conta história para contar.
Vem aí novo Ano, ideias há bastantes, muito provavelmente será uma viagem de maior dimensão, duas grandes, e várias de apenas um ou dois dias. Mas no seu devido tempo tudo será divulgado e partilhado.
Resta-me desejar um Feliz Ano Novo a todos!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Santo Amador 2017



A 34 dias da partida para a grande aventura deste ano, a Pirinéus-Picos 2017, decidi neste dia 6 e 7 de Maio fazer mais um ensaio, com um clássico, Santo Amador, pequena Aldeia Alentejana situada perto de Moura e da fronteira com Espanha.
Depois de uma manhã de trabalho, foi altura de montar na Tracer e fazer-me à estrada, depois de uma noite e manhã de chuva, o céu apesar de carregado de nuvens ia ficando cada vez mais azul e tudo apontava para que não fosse um passeio molhado.

A primeira paragem foi em Vendas Novas para a habitual e obrigatória bifana acompanhada de uma cerveja fresca, seguindo pelas estradas quase sempre desertas passámos por Montemor-o-Novo e rapidamente estávamos em Évora, não fosse a Tracer uma autêntica devoradora de estrada, faz-me esquecer facilmente os limites de velocidade, tal o gozo que o tri proporciona quando se solta e estrada permite circular de punho aberto. À entrada da Cidade à esquerda aparece o desvio que nos leva ao Alto de São Bento, um cabeço granítico situado num monte com três moinhos e onde se alcança uma vista privilegiada sobre Évora e toda a sua zona histórica.
Como é uma Cidade já bem conhecida de outras passagens que cá fiz, decidi seguir pelo IC2 em busca de lugares menos frequentados, o vento começou a aquecer e a quantidade de mosquitos a bater nas pernas e no capacete era impressionante nesta altura. Em Portel optei ir pela R384 até à Marina da Amieira, estrada com piso muito bom, num sobe e desce constante com curvas a fazerem as delicias à Tracer, são 20 kms. muito interessantes, até porque na chegada à Amieira começamos a ter vista da barragem, escusado dizer que neste pequeno troço, não apanhámos qualquer tipo de veiculo nos dois sentidos. Na Marina a tranquilidade da água do lago com os barcos na maioria atracados tornam este local um muito calmo. Como era cedo, e nesta altura os dias já vão sendo longos, em Alqueva parei no Museu do Medronho, um edifício imponente, muito moderno que além do museu, tem loja com artigos da herdade, um bar muito simpático e organiza passeios na propriedade, um café e umas recordações compradas e pouco depois estava com a Tracer na Barragem do Alqueva, qualquer adjectivo para descrever esta zona será sempre modesto.
Deixando a barragem para trás segue-se Moura, até ao destino de hoje são 18 kms. pela N258, e que estrada esta por muitas vezes que a faça tiro sempre o máximo gozo dela, até porque as motas vão variando e cada uma se ajusta mais facilmente ao tipo de estrada, aqui estas estradas reviradas a Tracer está em casa.
Santo Amador, pacata aldeia Alentejana de casas brancas, com 72 kms. quadrados e cerca de 400 habitantes, desde sempre um local que me diz muito, não fosse a terra Natal dos meus Avós maternos e onde ainda hoje tenho grande parte de família.
A aldeia tem alguns cafés e é no largo principal que encontramos a sua bonita Igreja e a torre do relógio. A cerca de um km. passa o rio Ardila com nascente em Espanha, aqui toda a paisagem é lindíssima num contraste fantástico entre o azul do céu, o castanho amarelado das encostas de terra, e o azul esverdeado da água. Para os mais aventureiros há a possibilidade de passar o rio e seguir pouco depois em estrada alcatroada até Amareleja, mas tendo em atenção que o nível de água varia e por acaso encontrei-o alto e decidi não ser boa ideia molhar a Tracer.




















Como tenho casa na aldeia, o local para dormir estava escolhido, as bagagem arrumada e o jantar foi em Safara, a aldeia mais próxima, no restaurante Cascata, com mota abastecida e piloto alimentado, chegou a hora do merecido descanso.
Acordar cedo, como faço questão de fazer em viagem, banho tomado, equipamento vestido e a ignição da Tracer novamente em ON, se há coisa que aprecio profundamente é a calma dos Domingos de manhã bem cedo, e que lugar melhor para isso do que o Alentejo, onde naturalmente já é tudo tranquilo e pouco povoado. Deslizando pela estrada fora, e parece estranho, mas com esta mota tudo parece perto, apesar de não ser uma referência em conforto, em meia hora estava em Mourão, optei por revisitar a nova aldeia da Luz, rodeada pela enorme albufeira da barragem do Alqueva.

Luz, Mourão e Reguengos é tudo relativamente perto, e não perdi a oportunidade para alcançar a melhor vista sobre o Alqueva no miradouro existente na parte baixa da fortaleza, ainda antes de começarem a chegar os autocarros cheios de turistas que habitualmente visitam esta zona.
Como tinha planeado almoçar em casa, a seguir a Reguengos foi só rodar até Mafra, seguindo por Évora, Vendas Novas, breve paragem para refrescar a garganta, Pegões, Vila Franca de Xira, Alverca, Malveira e Mafra, depois de 24 horas e 620 kms. ter partido para esta mini aventura, como sempre totalmente isenta de portagens ou vias rápidas.
Venha a próxima!

Data: 6 e 7 de Maio 2017
Mota: Yamaha Tracer 900
Kms. feitos: 620
Consumo: 4.5 lts. aos 100 kms.

Despesas:
-gasolina-43.50€
-alimentação-27€
-outras-9€
Total: 79.50€

ALBUM DE FOTOS

segunda-feira, 13 de março de 2017

Mafra-Matosinhos-Mafra 2017

Março 2017, dia 11 e 12, altura da última aventura de Inverno desta época 16/17. O destino fazia a bússola a apontar para Norte em direcção a Matosinhos, oportunidade para desfrutar da Sprint 1050, última aquisição do Dream Team, e que esta viagem será uma óptima oportunidade para conhecer melhor a mota, ainda para mais com revisão acabada de fazer em que levou pneus novos. Tempo já com sinais de Primavera, condições ideais para termos um fim de semana inesquecível, até porque pontos de interesse não vão voltar, tanto na ida como no regresso para Sul.    
A saída, como habitualmente deu-se em Mafra, bem cedo, pequeno almoço tomado frente ao convento e com uma neblina matinal partimos.
 A foto da praxe desta vez foi na porta da Tapada de Mafra, e começou da melhor maneira esta viagem com a N9-2, até ao Gradil, estrada revirada que a ST tanto se disponibiliza a dar gozo na condução, mesmo com as malas carregadas a sensação de leveza desta mota é impressionante.
A primeira paragem estava destinada para Rio Maior e as suas Salinas, antes das 9 horas já lá estávamos ainda com as típicas lojinhas de madeira fechadas, é um local muito simpático de visitar. Seguindo o IC2 com pouco trânsito e com bom piso na maioria do trajecto, pouco depois estávamos na Batalha e era hora de beber café e apreciar o bonito Mosteiro da Cidade, majestoso!
De novo na estrada, seguindo pelo IC2, já que esta como todas as minhas viagens são livres de portagens para absorver ao máximo tudo que os Países e localidades onde passo têm para mostrar, nunca entendi aquelas pessoas que viajam seja de carro ou mota e a maior recordação que levam para casa é os raids e linhas da estrada da AE, além do custo agregado a essas vias, principalmente em Portugal.
Até Coimbra fomos com o ritmo aberto, o céu continuava nublado, mas nada de chuva, apenas um vento frio que fez questão de nos acompanhar durante o fim de semana, algumas vezes até bem forte. Aqui é uma paragem obrigatória, o rio Mondego e toda a cidade é magnifica, é uma das minhas top 5 preferidas de Portugal certamente.
De Coimbra ao Porto são pouco mais de cem quilometros, hora e tal, portanto. Optei por seguir e almoçar já na Capital do Norte. Assim que as placas começam a indicar Porto, fica a sensação que tudo muda, como se outro País se tratasse, tudo começa a ser mais verde, o céu mais escuro e a quantidade de comércio à beira da estrada é impressionante, todo o tipo de comércio se vê, em maior ou menor escala, além de que existe um fenómeno interessante, e já não é a primeira vez que me apercebo dele, aqui nesta zona as pessoas conduzem muito devagar, e acreditem que é mesmo muito devagar, se fosse a rondar o limite permitido por lei já seria bom, claro que isso obriga a fazer muitas ultrapassagens, alguns em zonas proibidas a pisar o risco contínuo mas andar a 30/40 kms. por hora numa mota destas é praticamente impossível.
O almoço já foi em Vila Nova de Gaia, num daqueles tascos á beira da estrada onde se come barato e rápido.





No Miradouro da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia consegue-se seguramente a melhor vista sobre o Porto e o rio Douro, para lá chegar só veículos autorizados ou a pé, mas na descida ao chegar à mota vi um tuk tuk com turistas a subir, numa próxima não deixo a mota tão longe, até porque lá em cima há um estacionamento enorme.
Algumas voltas pela Cidade do Porto, nota-se uma enorme presença de turistas por todo o lado, não há muito trânsito num Sábado à tarde, mas semáforos, sinais de sentido proibido outros de sentido obrigatório, fez-me acreditar mais uma vez que Cidades grandes não são as minhas preferidas.
Sé, Casa da Musica, Avenida da Boavista,
Estádio do Bessa sec. XXI, Castelo do Queijo era alguns dos spots que levava na mente passar para ver e realmente apesar de todas as voltas e voltinhas para os encontrar valeu a pena.
O hotel marcado para esta noite era em Matosinhos junto à praia e foi para lá que seguimos numa altura que a Sprint marcava perto dos 350 kms. Mota estacionada, banho tomado, trocar de roupa e usei o táxi para ir até à Exponor, motivo que me trouxe até ao Norte, o Eros Porto 2017.
Depois de uma noite relaxante, eram sete horas e já espreitava à janela, a noite parecia que tinha sido chuvosa, tudo molhado e aquele céu tão característico junto ao mar no Inverno, mas nada que me desmotivasse para o resto do dia, até porque além da estrada molhada nas primeiras horas, chuva acabou por não haver até chegar a casa.
Com a ajuda do GPS lá saímos de Matosinhos, passando por Rio Tinto, Gondomar e depois aparece a fabulosa N108 que acompanha o rio Douro, e aqui fica difícil gozar ao máximo a estrada já que do lado direito vamos tendo uma visão descomunal sobre o rio, até chegar a Entre-os-Rios onde se atravessa o rio para o lado oposto.
Castelo de Paiva, bonita Vila onde aproveitei para tomar um reconfortante pequeno almoço numa esplanada na praça principal onde se encontra um estacionamento espaçoso exclusivo para motas, cabiam lá à vontade dois carros, pelos vistos aos poucos vai-se abrindo a mentalidade das autarquias para esta situação referente ao estacionamento para motociclos.  
O que vinha a seguir sem esperar acabou por ser um dos pontos altos desta aventura. A estrada que liga Castelo de Paiva a Arouca, a N224 é uma loucura total, são mais de vinte quilómetros de curvas e contra curvas num piso exemplar, tanto na qualidade como no estado do asfalto. Senão fosse a zona estar praticamente toda queimada teríamos aqui um cenário muito acima da média para a prática do motociclismo, mesmo assim deixo uma viva recomendação.
Em Arouca aparecem as indicações para a Serra da Freita, e foi por aí que seguimos, a cascata da Mizarela em Albergaria da Serra era uma referência previamente planeada.

É uma enorme cascata com 60 mts. de altura num dos pontos mais altos da Serra, onde o vento estava poderoso, mas vale a pena aqui uma paragem para apreciar esta maravilha da natureza.
Saindo da Freita, seguiram-se mais umas boas dezenas de curvas até São Pedro do Sul, Vouzela, entretanto fez-se hora de almoço e foi em Tondela no primeiro restaurante com bom aspecto que ele aconteceu, nas mesas ao lado falava-se com alguma tristeza da derrota da equipa de futebol da Cidade na noite anterior frente ao Sporting. Tondela uma cidade com aparente boa qualidade de vida. Já com 350 kms. feitos no período da manhã o que mais uma vez provou que esta Sprint é mesmo uma devoradora de estrada, excelente conforto e um motor com uma suavidade bruta capaz de passar de 8 a 80 em segundos.
Bem almoçado, no relógio indicava 14 horas e o GPS marcava 280 kms. até casa. A partir daqui as paragens seriam as indispensáveis para esticar pernas e repor líquidos quer na máquina como no piloto, a ideia era estar em Mafra antes do anoitecer. Segundo pelo IC2, Coimbra, Pombal, Leiria, Batalha, Rio Maior, Alenquer e aqui voltámos à diversão com a N9 revirada até Torres Vedras, depois Gradil e chegada a Mafra  pelas 18 horas e 858 kms. feitos em dois dias.
Aqui já o Dream Team todo reunido e agora é tempo de pensar já na volta de Abril.


Todas as fotos aqui!

Data : 11 e 12 de Março 2017
Mota : Triumph Sprint 1050 ST
kms. 858
Média consumo : 5.6 lts./100 kms.

Despesas:
Gasolina - 70.75€
Dormida - 35€
Alimentação - 33€
Outras - 35.50€
Total: 174.25€

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Olivença ou Olivenza? Portuguesa ou Espanhola?

À medida que nos aproximamos da grande Pirenéus - Picos 2017 Fevereiro é mês da sexta aventura desta temporada 16/17, destino escolhido a Sul em Espanha, uma terra que vive na indefinição de ser Portuguesa ou Espanhola.
Olivença é uma Cidade e Município em território de Espanha, segundo o Estado espanhol, e em território de Portugal  actualmente administrado por Espanha, segundo o Estado Português. Os dois Países vão-se mantendo em litígio sobre a situação enquanto a Cidade vai vivendo assim, e muitos dos habitantes até optaram por ter dupla Nacionalidade.
Olivença, situada no Distrito de Portalegre, seguindo a ideia Portuguesa, na margem Esquerda do rio Guadiana,  dista 23 km de Elvas, 24 km de Badajoz, 236 km de Lisboa e 424 km de Madrid.
Para lá chegar e no regresso pontos de interesse não faltam, vamos tentar aproveitar o maior número deles, ainda para mais optando pelo formato dia e meio com dormida já perto de Espanha. A mota para o efeito, a minha veterana Yamaha Super Tenere, ideal para quando a ideia é andar muito, quer pelo conforto, autonomia e uma total polivalência aliada a uma excelente capacidade de carga.
A partida para esta aventura deu-se em Mafra, com o habitual momento fotográfico frente ao Palácio Nacional da Vila. As previsões meteorológicas apontavam para alguns aguaceiros no Sábado mas sol no Domingo e temperaturas amenas tendo em conta que estamos ainda no Inverno não seria de esperar melhor.
Seguindo pela ponte Vasco da Gama até ao Montijo, para aí seguir em estradas Nacionais com pouco trânsito , como tanto apreciamos. Em Vendas Novas é uma paragem obrigatória para reconfortar o estômago, duas bifanas, uma imperial na esplanada enquanto ia olhando para o céu escuro a prever chuva contrariando as previsões, mas tal não aconteceu, nos dois dias. Entre Montemor e Évora há um desvio para Guadalupe com a indicação dos monumentos Megalíticos, e foi essa direcção que tomámos. 
Guadalupe é uma aldeia Alentejana, calma e pacata como todas as outras, pouca gente se vê na rua, o maior movimento é a passagem de carros ou motas em direcção ao Cromeleque. Da aldeia até lá são cerca de 4 kms. de terra batida bastante esburacada nesta altura do ano devido ás chuvas. Primeiro encontramos a indicação do Menir dos Almendres, mota estacionada, e a até lá só a pé, cerca de 300 mts. num caminho estreito rodeado de verde e animais como cavalos e porcos pretos que por ali vivem livremente.
Este Menir trata-se de um monumento megalítico isolado com 3.50 mts. de altura e está a cerca de 1000 metros de distância do Cromeleque.



O Cromeleque dos Almendres, é um circulo de pedras pré-históricas com 95 monólitos colocados em circulo criando um efeito fantástico e dos principais no género na Europa.
Montado na Super Ténere foi altura de gozar a estrada de terra até voltar de novo ao alcatrão e ir apreciando a paisagem Alentejana, maravilhosa nesta altura do ano. Passagem por Évora e o próxima destino era Reguengos de Monsaraz, base de descanso para esta noite, mas antes e aproveitando a luz de dia fomos até Monsarraz.



















Monsarraz é uma aldeia Mediaval, situada no alto de um monte e onde se alcança seguramente a melhor vista sobre o Alqueva. Toda a aldeia tem  pormenores deliciosos, seja numa porta, numa janela, numa esquina, numa fachada. Por muito que visite, consigo sempre alcançar nova paixão aqui. Apesar da hora, já final do dia, a presença de turistas é notória por aqui, principalmente Espanhóis.
 Já com o cair da noite desci à Cidade, apreciando o por do sol bem laranja, envolto em nuvens pretas. A dormida estava marcada para a Moira, unidade hoteleira já na saída de Monserraz a caminho do Alandroal, instalado numa quinta, que além dos quartos tem um restaurante onde se come bem e barato, e pela afluência que teve Sábado à noite é bastante popular na zona.
O pequeno almoço estava marcado para as 8 horas, pontualmente lá estava com aquela ansiedade de quem tem muito para andar de mota. Céu limpo, bastante vento e um ar frio, seria isto que me esperava durante a manhã. Equipamento vestido, mala na mota, motor a trabalhar, e vamos lá!
O Alqueva com o rio Guadiana é um cenário maravilhoso, fazê-lo de mota tem outro sabor, e para quem usa este tipo de veiculo percebe isso tão bem como eu. Como era cedo, antes de atravessar a fronteira, aproveitei para visitar o castelo de Mourão, era o único por lá aquela hora o que dá uma sensação de liberdade muito agradável. No alto das muralhas temos vista para o rio, aquele contraste de verde, azul e castanho é um cenário que supera em muito as nossas expectativas.









Passada a fronteira para Espanha, com o vento forte a querer dar novo trajecto à mota lá fomos seguindo estrada. Na primeira localidade, Villanueva del Fresno aproveitei para abastecer, 1.26€ o litro é de encher o depósito até à última gota, seguindo direcção Badajoz, encontra-se uma vila lindíssima, com um imponente castelo no topo, Alconchel.

Não resisti enfiar-me nas ruas da localidade em busca da estrada que levava ao topo da colina onde se encontrava o castelo, com entrada paga 1.50€ foi mais que recompensador este inesperado desvio. Do topo daquela torre a vista que se tem é qualquer coisa de extraordinário. Bem cuidado, com museu uma visita obrigatória para quem passa aqui e aprecia estes monumentos.
As placas iam indicando Olivenza, em Espanhol e lá chegámos a Cidade que deu o mote a esta aventura. Se está em território Português ou Espanhol não descobri, mas que aqui tudo se passa em Espanhol é mais que certo. É a língua que se fala e tudo parece tipicamente Espanhol.


Mas há sinais de Portugal, como por exemplo nomes de casas, as ruas tem placa com o nome Espanhol e por baixo em Português o escudo Português até aparece gravado na fachada da Igreja Santa Maria Madalena, construida por D. Manuel I no século XVI.


Olivenza é uma Cidade pequena, calma, pouco movimentada e aparentemente tem boa qualidade de vida.
 
De regresso a Portugal por uma estrada com piso exemplar, poucos quilómetros separam Olivenza a Elvas, cerca de 15 minutos. Já perto da Cidade Portuguesa temos uma série de curvas fechadas para descomprimir das longas rectas que atravessámos anteriormente.

Já em território Nacional, em Elvas, decidi visitar o Forte de Santa Luzia.
 Com entrada paga, 2€ vale a pena perder aqui algum tempo. O guia explicou a história do forte e pontos a ter em atenção, como a galeria que ligava por túnel o forte á Cidade e que actualmente aberto ao público num percurso com cerca de 150 mts. recuperado e devidamente iluminado, não aconselhável a quem sofra de claustrofobia.




















Em Elvas, seguindo a Nacional 373, direcção ao Alandroal, temos Juromenha no caminho, mais uma pacata aldeia na margem do rio Guadiana que senão fosse a sua imponente fortaleza iria passar completamente despercebida.


Sem esperar, foi aqui em Juromenha que alcancei o ponto mais alto da viagem. A enorme fortaleza num estado avançado de ruínas, com alguns edifícios a mostrarem obras de restauro, situa-se na margem do rio Guadiana e todo o aparato de paredes e casas degradadas criam um cenário espectacular, ainda para mais sendo o único por lá, naquela aparatosa construção que hoje é ruínas mas outrora já teve vida ali, uma sensação única.










Depois de Juromenha e completamente satisfeito com esta aventura de Fevereiro, próximo destino Mafra, seguindo por estradas secundárias livres de portagens, porque só assim faz sentido viajar de mota. Alandroal, Montemor-o-Novo, Vendas Novas com mais umas bifanas no Boavista, Pegões, Vila Franca de Xira, Bucelas, Malveira e chegada a Mafra pelas 18 horas ainda de dia e com 667 kms. feitos nesta Super Tenere.
Venha a próxima!






Mapa:













Mota: Yamaha XT1200Z 
Kms. feitos: 667
Média Consumo: 4.7 lts. aos 100kms. 
Despesas:
Gasolina - 48€
Alimentação - 28.50€
Outras - 3.50€
Alojamento : 25€
Total: 105€

DATA: 18 e 19 Fevereiro 2017

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