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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

À descoberta das Minas do Lousal


Os meses vão passando e chegámos ao último deste Ano, Dezembro, mês da quarta série das dez que planeámos até Junho 2017, altura da grande viagem. Dia 8, quinta feira, feriado, sem previsões de chuva a data estava escolhida.
Ainda em época de Outono, o destino escolhido a Sul é Lousal, uma antiga aldeia mineira, no concelho de Grandola a 140 kms. distância de Lisboa e a 100 de Setúbal. Actualmente Lousal é um destino turistíco onde além das ruinas da mina desactivada podemos visitar o Centro Ciência Vival do Lousal e reviver o tempo em que a mina estava activa, passar a noite no Hotel Rural Santa Barbara o que desta vez não tivemos esse privilégio, e comer no Restaurante Armazem Central onde se degusta comida tradicional Alentejana a uns preços algo altos, mas alternativas na localidade não existem.
A partida deu-se bastante cedo em Mafra, ainda o sol não queria dar sinais de vida, o dia esteve agradável para andar de mota, com temperaturas entre os 10 e os 17 graus, céu encoberto mas sem sinais de chuva, tendo em conta que estamos no final do Outono não se pode pedir muito melhor.
Escolhemos a Tracer para esta aventura, mais uma vez o factor maneabilidade, consumo e conforto foram predominantes nesta opção.

Com os primeiros quilometros do dia a serem feitos no IC19, ponte 25 de Abril e A2 até á saida para Sesimbra, afim de evitar pagar portagens, com o trânsito normal nestas estradas e que nada apreciamos, uns a circular a 80 a hora na faixa da esquerda com três disponíveis, outros na ponte a circular na do meio da ponte com a da direita livre, faz-nos cometer várias infracções como por exemplo ultrapassar pela direita ou andar em excesso de velocidade sem necessidade, esta não é definitivamente a nossa praia. Saindo da A2 em direcção a Sesimbra, voltamos onde gostamos de andar, nas estradas nacionais, a próxima paragem era no Portinho da Arrábida.
A estrada na Serra da Arrábida, além de ter bastante areia vinda das encostas, apresentava-se húmida nalgumas zonas, com o pneu da traseiro da Tracer a não querer cooperar houve que ter alguma cautela, mas apetecendo aproveitar ao máximo toda aquela bela estrada com o oceano em pano de fundo, por muito que viaje de mota, sempre que por aqui passo fico com a ideia que é impossível encontrar uma estrada mais bonita ou fantástica, ainda por cima nesta altura do Ano, sem transito e com a leveza que esta mota me transmite neste tipo de estrada revirada.
Não resisti a fazer uma paragem no quartel militar abandonado, a 7ª Bataria do Outão, cada vez mais vandalizado, será que as pessoas não percebem que ter acesso a um local destes é um privilégio e devia ser estimado, pelo menos não estragado.
Seguindo pela serra até Setúbal, estava na hora de fazer estrada no IC1, até Alcácer do Sal foi directo, 100/120/140 pouco trânsito, até porque além de feriado, ainda era cedo, perto das 10 horas, já bebia um café acompanhado de um doce regional na esplanada na bonita, bem tratada e reservada zona ribeirinha da Cidade, com o rio Sado ali bem perto de nós.
No topo da Cidade, existe o Castelo e Pousada, com uma vista magnifica, é daqueles spots que nunca me importo de repetir, respira-se tranquilidade aqui, não fosse o extenso Alentejo que a vista consegue alcançar no infinito.
Contrariando as indicações que indicavam o IC, preferi voltar ao centro e sair da Cidade, atravessando o Sado pela antiga ponte de ferro, lembro-me perfeitamente de em criança nas viagens que fazia com os meus Pais ao Alentejo ser a única opção, nem IC nem AE.....
IC2 de novo e pouco mais de vinte quilometros estávamos em Grândola, oportunidade para ver o majestoso muro comemorativo dos 25 anos do 25 de Abril logo na entrada, era um spot desejado á muito tempo.
Antes do destino, Lousal, levava referenciado um pouco antes á direita uma linha de comboio que já teve uma estação de comboios, Azinhaga dos Barros, bonita aldeia Alentejana. Lá perguntei a umas típicas senhoras sentadas á porta de uma casa, pela estação de comboios, segui as indicações e por um caminho de via única com muitos buracos lá encontrei a linha de comboios com um apeadeiro restaurado recentemente.
Voltando aos comandos da Tracer, a ansiedade de chegar ao Lousal, nesta altura já era muita, voltando ao IC, seguindo para Sul, pouco depois aparecia a placa que indicava o Complexo Mineiro do Lousal á direita, e até lá apesar do estado degradado da via são uns breves minutos.
Logo na entrada do Lousal, vimos que ali já existiu um grande complexo mineiro, agora são ruínas de grande imponência, com edifícios em tijolo já num estado de degradação avançado.




 Pode-se andar por toda a zona, onde ainda existem grandes máquinas e quadros eléctricos já desactivados á muito.
Na zona mais baixa, existem dois enormes lagos, um de água castanha e outro de água verde, lado a lado. Foi construído um caminho pedonal onde se pode circular e apreciar toda a beleza da zona, caminho esse que nos leva até à entrada das minas, visitável, com um custo de 6€ por pessoa, horário ás 15 horas e com uma duração de 2 horas, levou a que essa visita seja feita noutra data, implicava fazer o regresso a casa já de noite, de mota, nesta altura fria do Ano não seria de todo agradável.


Como grande atracção turística foi criado na zona uma enorme zona alcatroada, com zona para autocarros e tudo, paralela a uma linha de comboio antiga onde está este lindo comboio a vapor com as suas carruagens de carga agregadas à maquina onde se subir e sentir o que é estar ao comandos dela.

O Restaurante Armazem Central a par do Hotel Rural, são dois grandes pretextos para visitar e passar um fim de semana na aldeia, com uma ementa com doses a rondar os 15/20€ decidi que não era a nossa ideia para almoçar, já que com dias curtos, quanto mais render a estrada com luz solar melhor, já no IC2 não resisti a parar no Canal Caveira e por 12€ almocei um maravilhoso cozido á Portuguesa.
Antes de deixar o Lousal, por 4€ visitei o Museu do Centro Ciência Viva, onde existem grandes motores a diesel, geradores, utensílios e ferramentas da época, bem como recreado em miniatura os edifícios e oficinas da Mina, recomendo vivamente, pode ser feito com guia ou sem, apesar da simpatia naturalmente Alentejana das funcionárias que tanto aprecio, preferi fazer a visita sozinho.


Depois seguiu-se o regresso a casa com andamento mais aberto e a Tracer a soltar-se mostrando a sua energia e ligeireza quando o ritmo sobe. Estradas Nacionais com pouco ou nenhum trânsito neste feriado, abastecimento na Marateca, Pegões, Vila Franca de Xira, Alverca, Bucelas, Malveira e Mafra, com 450 kms. feitos até ás 16 horas.

Data: 8 Dezembro 2016
Mota : Yamaha Tracer 900
Kms. Percorridos: 485


Despesas: 
Gasolina - 34€
Alimentação - 16.50€
Outras - 4€ ( entrada no museu )

Total: 54.50€

ALBUM DE FOTOS


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Pelo Ribatejo de B-King

Aproveitando o regresso do feriado do dia de todos os Santos em 2016, assim que soube que a secção feminina de casa tinha agendado uma ida ao pão por Deus neste primeiro dia de Novembro, planeei logo uma volta de mota, para o período da manhã. A zona escolhida foi o Ribatejo, e foi mesmo o Rio Tejo que me acompanhou, mais ou menos perto durante a volta com mais de 200 kms. na Suzuki B-King, uma mota pouco usada, mas capaz de proporcionar umas boas horas de condução, já que tem um motor explosivo, um conforto aceitável, uma posição de condução descontraída e uma total segurança a nível de travões.

A partida deu-se bem cedo, como habitualmente de Mafra, ainda poucos sinais do sol e já estávamos prontos, mota atestada, equipado a rigor porque nesta altura do ano, tanto se pode apanhar calor como frio ou até chuva. 
Foto da praxe e vamos lá, que o Ribatejo espera por nós.




A segunda paragem do dia foi em Vila Franca de Xira, e que momento fabuloso acabou por ser. Na avenida principal encontrei uma passagem de nível que tinha como indicação a zona ribeirinha da Cidade, era cedo, havia poucas pessoas na rua, altura ideal de ir explorar. Seguindo numa rua empedrada com edifícios antigos e baixos, deparamos com um cenário incrível, o Rio Tejo numa calma abismal, a ponte ao fundo, uma baía com barcos de recreio e um empedrado imenso junto ao rio, onde alguns madrugadores aproveitavam para a sua corrida matinal. No rio tive a oportunidade de observar uma situação algo estranha, na água flutuavam imensos ramos de árvores, uns maiores outros menos, que se deslocavam lentamente para Sul onde o rio vai crescendo. Se a água parecia estagnada, através desse deslizamento via-se a corrente do rio. Muito bonito, a voltar e repetir esta paragem em próximas passagens por aqui.
Seguindo estrada, atravessar a ponte de Vila Franca, muitos ciclistas que fazem filas de carros e camiões, mas com uma mota destas, é só dar gás e seguir caminho. Até Salvaterra de Magos foi deixar a B-King rolar numa ritmo aberto, sem excessos, mas a essência do prazer de andar de mota está mesmo aí, ter motor disponível e usar quando necessário, numa ultrapassagem ou numa zona mais sinuosa ou revirada.
Em Salvaterra de Magos, aproveitei para dar uma volta, onde encontrei esta Capela Real, bem bonita por sinal, não percebi se é visitável, mas fiquei com  a ideia que não.

 Zonas ribeirinhas nesta zona não faltam, foi uma constante nesta manhã a companhia daquele que é o nosso maior rio, o Tejo. 

Próxima paragem que trazia referenciada era a barragem de Magos, em tempos estive lá e tinha um espaço muito acolhedor com esplanada junto á água. Em Salvaterra, no semáforo vira-se á direita direcção Coruche, e uns 6 kms. a seguir numa imensa recta encontra-se o sinal da barragem á esquerda.

A barragem de Magos aparece logo depois, o tal restaurante bar estava fechado, o que é pena, o local é muito agradável. Tem uma zona de lazer com mesas, wc aberta e bem cuidada, bem junto á pequena faixa de areia junto á calma e transparente água da barragem, onde patos se passeiam. Ficou a ideia de um piquenique em família, certamente um dia bem passado.



Seguindo a estreita, mas em óptimo estado estrada, vamos ter a Marinhais, onde se volta á N118, até Muge é um pulo, seria aqui a próxima paragem, com o Silas a ser já uma referência gastronómica obrigatória. Como ainda era cedo para almoço, fui procurar a ponte Romana.



A ponte Romana de Muge, merece ser vista, bem conservada, inspira tranquilidade e neste Outono o verde á sua volta cria um efeito muito interessante. Claro que a B-King foi logo posta a jeito de um registo fotográfico, e o seu orgulhoso dono não quis deixar de ficar também.



 
Em Muge, no Silas junto da Igreja, encontramos umas deliciosas e enormes bifanas, aberto 24 horas por dia ao fim de semana, é ponto de paragem quase obrigatória para quem aqui passa, seja ciclista, motociclista ou motorista.





Apesar de ainda ser meia da manhã, cerca de 11 horas, um aconchego destes no estômago sabe sempre bem, até porque a alvorada foi ainda de madrugada.
Bifana tamanho grande, com queijo e bacon, sumo natural de laranjae café, 7€ e mais uns trocos, saímos prontos para mais umas horas de viagem.





Depois da agradável passagem por Muge, era hora de transpor o Rio Tejo novamente, e para tal a ponte Rainha D. Amélia, em construção de ferro, foi a opção. Ponte longa de só uma via, houve que esperar que o semáforo ficasse verde. A vista ao atravessar a ponte, tanto para Norte como para Sul é maravilhosa, o rio aqui, já tem uma largura considerável, e todo o verde dos campos cultivados em seu redor, tornam o cenário um autêntico quadro natural impressionante. Do outro lado do rio temos uma estreita estrada que acompanha a linha do comboio, até que estamos na Valada, outro porto de embarque do imenso rio.

Aqui alcançamos uma vista impressionante com o Tejo como fundo e como poucos o conhecem. Nessa breve paragem houve tempo para conhecer um senhor que por ali passeava e se maravilhava a tirar fotografias, pediu-me para fotografar a imponente B-King, e com alguns minutos de conversa disponibilizou-se para me tirar umas fotos, que mais tarde, e sinais das novas tecnologias, me enviou através do facebook por mensager. Valada, recomendo vivamente.
Seguindo em direcção a casa, em Mafra, sempre usando estradas secundárias fora de portagens, seguiu-se a estrada rural até Azambuja, Alenquer, e daqui até Torres Vedras são cerca de 40 kms. numa estrada revirada com um infindável número de curvas, num asfalto irrepreensível, soberba estrada para fazer de mota esta N9. Passando pelo Centro de Torres, segue-se a N8, com muitas localidades, e com especial atenção aos radares, depois chega novamente a diversão, e nem o peso desta Suzuki evita que se tire um enorme gozo na estrada que liga Gradil a Mafra, passando pela Tapada de Mafra, a N9-2, piso recentemente renovado, fabulosa e recomendável!
Chegada a Mafra, pelas 13 horas, 209 kms. feitos, uma manhã bem passada, o Ribatejo mostrou ser um destino com muito a explorar,a voltar com mais tempo.

Gastos:
Gasolina - 18€
Alimentação - 7.10€

Percuso:



ALBUM DE FOTOS

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

EL ROCIO 2016, em busca da terra dos Cowboys

Novembro 2016, dias 5 e 6, data escolhida para a terceira série das dez que planeámos até Junho de 2017. O destino escolhido é El Rocio, situado no Sudoeste de Espanha, província de Huelva, a 436 kms. distância de Lisboa e a 84 de Sevilha.
El Rocio, é uma pequena aldeia conhecida pelas suas pequenas casas pintadas de branco, estradas de terra fazendo lembrar o Far West Norte Americano, e a sua imponente Ermita del Rocio.
Como andar de mota permite alcançar facilmente vários lugares, pela facilidade de lá chegar, estacionar e voltar á rota programada, e até porque faço questão de incrementar alguma cultura ás minhas viagens para evitar chegar a casa com a única recordação da sensação do traseiro tremido, levo várias referências para visitar e conhecer tanto na ida como no regresso. Assim, uma Capela de Ossos, Ruínas Romanas, um Castelo Medieval, uma Vila Raiana e uma Medieval, uma aldeia de Cowboys destino principal que deu o mote a esta aventura, contacto com 76 kms. do percurso da mítica e saudosa N2 e outras surpresas inesperadas certamente, são pontos de interesse nesta viagem.
Mota escolhida para estes dois dias é a Yamaha MT-09 Tracer, uma opção cada vez mais válida nestas distâncias maiores, pelo conforto, autonomia, disponibilidade do motor em todo o regime de rotação, segurança em todo o tipo de estrada, e até pela capacidade de carga disponível com as duas malas laterais que a equipam.


A partida, já vai sendo uma tradição deu-se em Mafra, e que melhor do que um fundo como o do Palácio Nacional da Vila? Mota atestada, ar dos pneus verificados, malas carregadas com roupa para dois dias, bem como todo o equipamento necessário para fotos e partilha nas redes sociais. E lá vamos nós, quase 1.000 quilómetros nos esperam nos próximos dois dias.
Apesar da manhã estar chuvosa, as previsões apontavam para melhorias e sol no Domingo, com temperaturas abaixo dos 20 graus, a verdade é que estamos no Outono, e estas variações entre sol são previsíveis. Como tal, equipamento adequado e toca a ir.  Se no Sábado a chuva não deu tréguas em qualquer instante, o Domingo acordou com um sol exemplar, mas muito frio.


A primeira paragem deu-se em Vendas Novas, no Boavista para um almoço ligeira das tão típicas bifanas da zona. Abrigado da chuva, a degustação das ditas foi a pensar que o céu estava tão escuro e sem parar de descarregar água, que me deixava na dúvida se a data tinha sido bem escolhida, não é que me incomode viajar de mota á chuva, mas para as visitas que tinha planeadas, não seria as condições ideais. Novamente equipamento fechado, sentar na Tracer e voltar ao caminho, até Évora é pouco mais de meia hora. Na entrada de Évora á esquerda há um desvio para o Alto de São Bento, trata-se de um monte com uma vista fabulosa sobre a cidade, com três Moinhos construídos em cima de pedra.


Voltando á Cidade de Évora, a estrada que a circunda empedrada, não é muito agradável para fazer de mota com piso molhado, mas com cuidado lá fomos á próxima paragem, que era a Igreja São Francisco, onde se situa a única e singular Capela dos Ossos.


A Capela dos Ossos, como o próprio nome diz tem as paredes e pilares forrados com ossadas humanas, impressionante, Na entrada encontramos o dizer "Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos". A entrada são 3€, que também dá acesso a um museu no mesmo edifício.




A Igreja São Francisco com entrada livre é uma obra magnifica, com o dourado em destaque, como grande apreciador de Igrejas, atrevo-me a dizer que foi a mais bonita que vi até hoje.




De volta á estrada molhada, era altura de apanhar o IC2, direcção á Vidigueira, para um lanche no largo da Vila Alentejana. Muito bem organizada, com estradas estreitas de pedra, faz-nos sentir que quem aqui vive tem qualidade de vida.

A torre do relógio, bem sinalizada na Vila da Vidigueira.
              

 Passeando de mota na vila quase deserta, rua abaixo, rua acima, senti um ambiente acolhedor, passei por alguns alojamentos locais, e com o equipamento, principalmente as botas a mostrarem já uma certa saturação de água, houve vontade de ficar já ali a passar a noite, mas ainda havia umas ruínas Romanas para ver e o hotel marcado era em Moura, a cerca de 30 kms.
As Ruínas Romanas de São Cucufate, são perto da Vidigueira, em Vila de Frades, na estrada principal, num pequeno desvio á direita. Quando lá cheguei pelas 17.15h. já a entrada estava encerrada, a segurança a entrar no carro, que teve a simpatia de me vir explicar que o dia estava mau e que aquela hora já não dava para ver tudo, só me restou dar-lhe razão e tentar voltar noutra altura mais cedo. Fica o registo do que consegui ver através da rede de segurança.


De novo, com a ignição da Tracer em ON, próximo destino, base de descanso para esta noite, Moura. E foi mesmo no caminho que caiu a noite, a temperatura teimava em manter-se próximo dos 10 graus, bem como a chuva. Na entrada da cidade abastecimento da mota, procurar o hotel, mesmo no centro da Cidade, estacionar junto á entrada do Hotel Santa Comba, um 2 estrelas muito acolhedor e com um simpático proprietário, tomar um duche bem quente, por o equipamento a secar, actualizar as redes sociais, e com roupa leve e seca fomos á procura do jantar a pé.




Moura é uma Cidade muito bonita, terra que visto desde criança, já que a minha família materna é toda desta zona. As ruas estão enfeitadas com flores e a utilização de luzes LED nalgumas zonas torna tudo ainda mais branco, como é típico da zona.
Depois do merecido descanso, foi com alegria que vi o céu azul e sol radiante da janela do quarto, rapidamente me vesti e fui dar uma volta pela Cidade antes da hora do pequeno almoço. Ao sair da porta do hotel deparei-me com um enorme frio, e assim ficou até perto do almoço, já que no painel da mota teimava em manter 8 graus, mas não chovia e isso já era bom. 



A Capela do Carmo é uma das pérolas de Moura, mas há muito mais para descobrir. A esta hora madrugadora só deu para as fotos da praxe, em baixo encontra-se um link que leva ao álbum completo de fotografias da viagem. 
Muitos caçadores madrugadores no Centro iam olhando para este forasteiro de máquina fotográfica na mão, captando os pormenores que se ia encontrando, como fontes, canhões de guerra, portas de madeira antigas, torres, igrejas, etc.De volta ao hotel, depois de um bom pequeno almoço, já que o dia previa-se longo, foi hora de arrumar as coisas, equipar e por-me á estrada, e que bem sabe nesta altura do ano rodar pelo Alentejo com o que era seco e castanho no verão, agora pintado de verde, maravilhoso. Na entrada de Espanha o frio era tanto que nem coragem tive para parar afim da foto junto da placa que assinala o País vizinho, sem entender bem porquê a passagem daquela placa dá-me sempre uma enorme sensação de liberdade.
 A estrada que vai de Rosal de La Frontera a Huelva, A495 é igna de ser feita várias vezes sempre com a mesma atisfação, transito pouco ou nenhum, asfalto irrepreensível, curvas abertas, rectas não muitos longas. Em certas alturas acompanha um rio de água castanha, talvez devido a umas minas que se encontram numa povoação que fica no caminho.


O destino principal desta Aventura era El Rocio, mas no caminho não quis perder a oportunidade de ir conhecer a Vila Medieval Niebla, uma fortaleza onde se encontra habitação, Igrejas, praças, fontes e ruas estreitas transitáveis. 




Até El Rocio é um pulo, a terra dos Cowboys começa a ser indicada na estrada bastante antes, e até lá chegar está uma via rápida de duas faixas sem portagem, bastante transito na direcção ao meu destino, não fosse Domingo, e foi com bastantes pessoas que encontrei El Rocio. 


Indescritível a imponência da Ermita de El Rocio, grande, bonita, muito branca, chama a atenção mal lá chegamos. As ruas são de areia, muitos restaurantes, bares, esplandas, carroças para fazer uma visita á aldeia, cavalos, póneis para as crianças. Os carros e outros meios de transporte como a mota ficam num parque perto da Ermida, a minha ideia de fotografar a Tracer junto á ermida ficou assim por fazer. Mas o importante estava feito, era estar cá, ver e sentir o ambiente do Far West.
Curiosamente nas pesquisas que fiz sobre este El Rocio não me apercebi do enorme lado que existe frente á povoação, simplesmente fabuloso, a calma da água ali estagnada, criando um efeito espelho com o azul do céu. Junto ao enorme rio existe um passeio onde as pessoas passeiam ou simplesmente descansam nos bancos apreciando de um lado o lago e do outro a Ermida ou as baixas casas brancas.
 
Com a visita feita, começava o regresso a casa partir de agora, e veio também a parte mais chata, até Huelva foi uma enorme e interminável recta no meio de um pinhal, sem motivos de interesse. Ao chegar a Huelva passa-se pela zona portuária, grandes depósitos de gás e outros combustíveis, até que surgem as placas a indicar Portugal, 76 kms. verdade? pensava que estava bem mais perto. E até Portugal o caminho é feito numa via rápida com duas faixas também ela sem portagens. Lá fomos galgando kms. atrás de kms. com o desejo de estar de volta ao País de origem. Já na zona de Ayamonte, oportunidade de abastecer a 1.12€ a gasolina, logo depois a espectacular ponte que liga Espanha a Portugal, assim que vi desvio á direita para a estrada Nacional, direcção Beja, abri logo o pisca da Tracer.  



Até Alcoutim foi um instante, não estivesse de volta a Portugal onde a velocidade é mais á vontade do que Espanha, hora de almoço, um saboroso frango assado acompanhado de uma cerveja e esticar as pernas até á zona ribeirinha, onde nos deparamos com o rio Guadiana a separar Portugal de Espanha, os barcos atracados no cais, mais parecem ter sido ali colocados para criar um efeito de quadro pintado.



Foi a seguir ao almoço, no caminho para Mértola que tive um percalço, ao sentir a mota a querer fugir nas curvas, vi que algo se passava na roda traseira, ao parar vejo um ferro espetado e o ar rapidamente a sair. Felizmente tinha posto o kit anti furos na mala, normalmente nem penso nisso. O kit estava lá sim, mas como nunca foi preciso, não foi fácil a sua utilização, mas com algum esforço e empenho lá se meteu a sola na roda, bomba de ar lá para dentro, o que vim a perceber que uma não chega, porque a mota continuou instável, seguiram-se trinta kms. em ritmo lento até que em Mértola fui á estação de serviço meter pressão correcta, verificar que não estava a perder ar no sitio do remendo, e dar a volta pela localidade. 



Com a situação aparentemente corrigida do furo, foi altura de ganhar confiança de novo na Tracer, seguimos até Beja, Ferreira do Alentejo, para aí aproveitar para um reencontro de 76 kms. com a mítica N2 até Montemor o Novo.


Esta é a zona em que a N2, marca nos marcos de passagem de quilometro R2, vá-se lá saber porquê. Estrada já conhecida da Tracer, foi deixá-la deslizar porque neste tipo de estrada é que ela se sente bem, curvas, subidas, descidas, pouco transito, é um prazer ver a disponibilidade desta mota numa "pista" daquelas.






 No Torrão, o relógio da Igreja marcava 5 horas da tarde, o sol já parecia estar adormecido, decidi parar para um café, que acabou não ser tomado, já que estava fechado o bar da praça, mas tirou-se a foto que marca a nossa passagem lá, aconchega-se o equipamento que o frio vai apertando e siga caminho. 
A chegada a Montemor já foi com o sol posto, seguiu-se Vendas Novas, paragem para abastecimento da mota, desta vez optámos por saltar as bifanas que constavam no programa, já que pretendia chegar a horas do jantar a casa.



Sem recurso a portagens lá chegámos a Mafra, 970 kms. depois, feitos em dia e meio. Em Dezembro voltamos com novas ideias e Aventura! 


Mota : Yamaha MT-09 Tracer 
Kms. feitos em dois dias: 970 

Despesas:
Gasolina - 53€
Alimentação - 35€
Alojamento - 23€ - Hotel Santa Comba, Moura
Outras - 3€

Total: 114€ 


ALBUM DE FOTOS

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Marvão 2016

Primeiros dias de Outubro, um e dois, inicio do Outono de 2016, altura de mais uma viagem de mota, desta vez um clássico sempre muito desejável, Marvão, situado junto a Espanha no Alto Alentejo, distrito de Portalegre, no topo da Serra do Sapoio, a uma altitude de 860 metros.
No caminho até á bonita vila Alentejana temos como pontos de interesse, Belver e o seu castelo e Castelo de Vide onde será a base de descanso para Domingo, já no regresso levamos Portalegre e Évora Monte como pontos de passagem e visita.
A mota escolhida foi a já veterana Yamaha Super Ténéré 1200, confortável, boa autonomia e consumos, potência disponível em toda a faixa de rotação do motor, com uma boa capacidade de carga, tem tudo para tornar estes dois dias de viagem bastante agradáveis.


O inicio da viagem bem como o fim foi em Mafra, como é habitual. Depois de uma noite mal dormida, criada pela ansiedade normal nas vésperas destas aventuras, lá fomos até ao Convento de Mafra para a habitual foto. A vontade era partir já, mas ainda houve uma manhã de trabalho em Mem Martins e só depois demos a partida oficial, com rumo a Vila Franca de Xira para transpor o Rio Tejo e seguir por estradas Nacionais até Muge, onde no Silas nos esperava uma bela bifana para o almoço, faz tempo que ouço falar destas bifanas e não desiludiram, muita escolha de ingredientes para acompanhar, tamanho avantajado e preço acessível, fiquei cliente.



Seguindo pelo Ribatejo, pouco trânsito, algum vento, lá se ia galgando estrada, ao passar no Arripiado, aldeia ribeirinha, decidi fazer um pequeno desvio, que acabou valer os minutos que demorámos a tirar uma foto no enorme largo com calçada Portuguesa á beira do Rio Tejo.

E foi junto ao Rio Tejo que continuamos num infindável número de curvas, em que a Super Tenere se mostrava disponível para dar ao piloto um sorriso dentro do capacete, esta N118 é uma verdadeira perdição para os amantes de motas. O próximo destino era Belver, para isso optei por transpor o Rio Tejo através da estrada metálica da Barragem de Belver, o Castelo esperava pela minha visita. Depois de uma infindável escadaria encontramos o Castelo, bem tratado, com segurança e uma entrada de 2€, merece sem dúvida uma visita, dali se obtém excelentes vistas sobre o Rio Tejo como poucos o conhecem.
Já satisfeito pelo prazer que é visitar um Monumento deste calibre, a mota esperava por mais uns kms. e Castelo de Vide, onde iria dormir esta noite era o destino que se seguia, antes da entrada na Vila do lado direito há o desvio para a Ermida da Nossa Sra. da Penha, e foi para aí que segui, já que ainda havia luz do dia e o tempo tem que ser bem aproveitado.

A vista aqui do cima da Serra de São Paulo é magnifica sobre Castelo de Vide e todo o Alto Alentejo. 


O Hotel Sol e Serra esperava por nós, XT estacionada á porta, foi altura de instalar no quarto, e dar um rápido um mergulho na piscina, muito provavelmente o último deste ano, porque o Outono está aí e os dias cada vez mais frios, um banho quente, mudar de roupa e toca a pegar de novo na mota e ir para Marvão, destino principal desta viagem. Mossassa era o Evento que me esperava na parte alta da fortaleza Alentejana, uma feira estilo mediaval, com comes e bebes e muito artesanato á venda. Não perdi muito tempo, já que a noite estava fria e tinha preferido encontrar a vila mais vazia. Regresso a Castelo de Vide para jantar numa esplanada uma deliciosa carne de porco á moda Alentejana. Um passeio nocturno pela vila, onde se compreende o porquê de ser considerada a Sintra do Alentejo, vários pormenores
maravilhosos por todo lado, fontes, igrejas, estátuas, jardins, adorável! Mas de manhã com sol queria voltar a ver tudo e claro visitar o castelo da Vila, fabuloso, com 2 museus, burgo mediaval e com acesso ao topo da torre principal onde nos perdemos com a vista que alcançamos. Por muitas vezes que o visite, parece sempre ser uma novidade. 
A Serra de São Paulo com a sua Ermida, vista da torre do castelo: 


Regresso ao hotel, arrumar a mala e hora de montar a Super Tenere e continuar a nossa viagem, Portalegre, Estremoz, Evoramonte, Montemor, Vendas Novas já na hora de almoço que não deixámos passar a oportunidade para degustar duas bifanas acompanhadas de uma Imperial, Pegões, Vila Franca de Xira e chegada a Mafra por meio da tarde, sempre fora das Auto estradas.
Portalegre: 


Estremoz: 
Évora Monte: 

E a chegada sempre gratificante a Mafra, com mais de 600 kms. feitos nestes dois dias: 

Mais uma vez tentámos fazer uma viagem de baixo custo, tentando ver muito e gastar pouco.

kms. feitos - 610

Despesas :
Alimentação - 25.60€
Gasolina - 50€
Dormida - 24€
Entradas Monumentos - 3€

Total : 78.60€ 


Em Novembro voltamos de novo á estrada!
ALBUM DE FOTOS